Qual o jogo? A pressão de Tia Eron e o PRB pela suposta “vice” deixou os “menudos” irritados

As cartas estão na mesa e o jogo do DEM está bem desenhado, mas a deputada federal Tia Eron da Igreja Universal e do PRB tem outros interesses. Quais as intenções da ex-democrata Eronildes Vasconcelos Carvalho em expor que quer ser candidata em uma chapa contra ACM Neto? Conversei com um funcionário do alto escalão do Palácio Thomé de Souza na última semana e este me confidenciou, que os “menudos” estão muito irritados com a atitude. Além disso, a ofensiva incomodou o irmão do ministro-chefe, o deputado federal Lúcio Vieira Lima do PMDB.

Vejo três possibilidades. Primeiro, ganhar mais espaço dentro da Prefeitura. Leia-se: mais uma secretaria. Segundo, medir forças com o PMDB e tirar a vice do deputado estadual Bruno Reis em detrimento de João Roma. Terceiro, apenas “espuma” para ver se cola. Jogo de cena política!

O PRB – Partido Republicano Brasileiro administra a Secretaria de Manutenção da prefeitura de Salvador, cujo comandante é o habilidoso Marcílio Bastos, homem competente que ganhou a simpatia dos “menudos”. Através desta pasta, realiza ações importantes em bairros populosos e consequentemente, beneficia seus filiados. Então, porque o partido brigaria com ACM Neto neste momento em que o prefeito tem um alto índice de aprovação? É fato que o PRB vai coligar nas eleições proporcionais com o DEM e eleger, no mínimo, três vereadores, mas com possibilidades reais de um quarto. Isso sem contar com o Pastor Isnard Araújo, que foi acomodado no aliado PHS e vai tirar uma vaga do partido. Havia um acordo para o PRB eleger três edis.

Os candidatos fortes do PRB são: Luiz Carlos (vereador), repórter Marcelo Castro (candidato de Bocão), Rogéria e Iraildes (candidatas de Tia Eron). De acordo com uma fonte do Informe Baiano, caso o partido entre na disputa proporcional sozinho, sem uma coligação com o DEM, elege, no máximo, dois vereadores. Isso porque, não tem “rabada”. Ou seja, candidatos com votações menos expressivas para empurrar os que tem número suficiente para garantir a eleição.

Na coligação com o DEM, as chances sobem consideravelmente. Comenta-se internamente que a presidente estadual Tia Eron, que teve mais de 100 mil votos na eleição em 2014 para deputada federal, trabalha forte para eleger suas duas candidatas. Além de dividir os votos em Salvador, atua na busca de mais lideranças comunitárias.

Já Luis Carlos, é vereador e também tem o apoio da Igreja Universal. Vale salientar, que na sua eleição obteve 13.505 votos e conta com uma base sólida na instituição. Foi o sétimo vereador mais votado de Salvador. A quarta aposta dos bispos, o repórter Marcelo Castro, tem o apoio do apresentador Zé Eduardo “Bocão” e vem ampliando seu trabalho em comunidades mais carentes com ações nas áreas de artes marciais, asfaltamento de ruas, consultas médicas e cestas básicas.

O problema é que no acordo fechado com o DEM, o partido da igreja lançaria três candidatos com poder real de serem eleitos e não quatro. Isso também explica o motivo da transferência de Isnard Araújo para outra sigla. E como o DEM não é nada bobo, tratou de questionar as peripécias do PRB, pois corre o risco de perder uma cadeira na Câmara Municipal de Salvador. O objetivo da chapa seria eleger 10 vereadores: sete do DEM e 3 do PRB.

Na semana que passou, o prefeito ACM Neto fez uma reunião com a deputada Tia Eron. O que foi decidido ainda é um mistério… Não podemos esquecer que o PRB não é bem visto entre membros do Partido dos Trabalhadores, em especial, o ex-governador Jaques Wágner, que em 2014 fechou um acordo com um importante membro da sigla pela manhã e quando chegou à tarde foi traído. Isso mostra que do outro lado, caso haja negociação, o caminho vai ser difícil. Enfim, fica claro que o jogo ainda está obscuro. O que o PRB quer?

Por Ramon Margiolle