Abaixa que é tiro! Confira o textão do Tchê

“A energia da nação só serve aos bancos e, estáticos, estamos definhando totalmente à margem da corrida industrial, sobrevivemos para exportar commodities (calorias) e importar pacotes tecnológicos. Sim, já tivemos passeatas, protestos, eleições, Constituinte e até impeachment, mas o importante é que tudo isso não nega, e até consagra, as constantes traições parlamentaristas/rentistas, que visam manter as perdas internacionais e boicotar quaisquer iniciativas de conservação dos sistemas de preservação de nossas próprias energias.” – F.T.Monteiro

Acordei, olhei para a rua e tomei um susto. Um batalhão de homens com fardas cor de laranja tomava todas as calçadas do bairro, pensei ser algum golpe de natureza cítrica, mas felizmente não era nada grave. E a tal “guarnição laranja” não passava de um grupo de pacatos agentes de limpeza pública, trajando as suas fardas de praxe, e efetuando a necessária limpeza dos logradouros, logradouros que foram muito empesteados durante a farra dos discípulos de Momo.

Aqui na Bahia a música da banda Parangolé deu um olé e servirá de aviso aos incautos para todo o ano.

Ainda lembrando que uma ‘quase mulher’ roubou a cena como Mulher-gato, e as metrópoles do sudeste escolheram, democraticamente, as suas escolas prediletas; São Paulo e Rio de Janeiro mantiveram a dicotomia Mancha X Mangueira- o que só comprova a necessidade de darmos continuidade aos jorros d’água limpa da Operação Lava-jato…

Em plena Quaresma o ‘papa do fim do mundo’ continua firme e segue apontando, com clareza matemática de um jesuíta, o caminho da autocrítica para o seu rebanho. Pena que a conferência dos bispos, tutora de muitos partidos políticos da América Latina, continue fazendo “ouvidos de mercador”.

A TV anuncia o concurso de Miss Brasil e os matutinos deram ênfase para a ordem do dia de nosso mais cibernético quase filósofo. Em recado claro, neste momento desprovido dos costumeiros palavrões que só uma Nana Caymmi ousa pronunciar, o senhor Olavo de Carvalho postou nas redes este petardo, que o jornal A Tarde reproduziu assim:

– “jamais gostei da ideia de meus alunos ocuparem cargos no governo, mas, como eles se entusiasmaram com a ascensão do Bolsonaro e imaginaram que em determinados postos poderiam fazer algo de bom pelo país, achei cruel destruir essa ilusão num primeiro momento (…). Mas agora já não posso me calar mais. Todos os alunos que ocupam cargos no governo (…) deveriam, no meu entender, abandoná-los o mais cedo possível e voltar à sua vida de estudos. (…) o maior erro de minha vida de eleitor foi apoiar o general Mourão. Não cessarei de pedir desculpas por essa burrada.”

Talvez assimilando o conselho da banda Parangolé, constante na letra da sua premiada música Abaixa que é tiro, o acusado, que tem a experiência de sobreviver em locais onde ocorreram conflitos bem mais graves do que aqueles que atingiram os blocos da Ludmila e da Claudinha Leite, reagiu com fair play ao petardo desferido e, ironicamente, com a paciência de um antigo adido militar na Venezuela, e hoje quase presidente, o general Mourão preferiu optar por jogar beijinhos, com a mão, na direção do acusador. Ou seja, mesmo emergindo de um universo fantasioso – onde não faltaram pessoas trajadas de capetas e de anjos – devemos recordar o alerta do poeta Augusto dos Anjos:- “a mão que afaga é a mesma que apedreja.”

Mas manda a cautela que aguardemos os primeiros cem dias de governo para conseguirmos visualizar quaisquer tendências, já que também, aparentemente, o mundo se encontra mergulhado em uma patética Nova Cruzada e seu eco fundamentalista e ressacas eletrônicas acabam por refletir por aqui- não somos uma ilha. Lá pelo início de Abril, talvez no dia sete, poderemos ter várias respostas sobre os cenários do futuro. Por via das dúvidas o pessoal do Movimento Verde Trem já marcou o seu evento para o dia cinco do próximo mês, convocando todos para assistirem, em movimento, a Memória do Carnaval 2019 a bordo de um trem elétrico- a saída será às 15h da Estação da Calçada.

Pelo visto um Outono, bom pra carvalho, já se anuncia e vai chover em nossa horta. Aliás, Horta é o sobrenome da nossa nova Miss Brasil.

 

Feliciano Tavares Monteiro
montegordo@gmail.com
Gaúcho com ascendência baiana
Engenheiro eletricista

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