Festa de rua, ambulantes e cidadania; por Geraldo Júnior

Dez dias de festa, hotéis cheios, segurança nas ruas, serviços sociais prestados com exatidão, economia na cidade girando. Os bons resultados do Carnaval de Salvador em 2019, a partir do trabalho exemplar do prefeito ACM Neto, não podem esconder os problemas que a festa momesca nos permitiu observar. É necessária a discussão dos direitos a galera do isopor, os vendedores ambulantes, que aproveitam a ida de muitos para curtir as festas de rua para conseguir tirar o seu sustento.

Foram 250 mil postos de trabalhos gerados durante o evento e destes, 10 mil foram de ambulantes. O número é grande e necessita de atenção. Nunca é tarde para nos atentar sobre este assunto.
Durante os dias de festa me chamou a atenção para a árdua tarefa de milhares de famílias que deixam suas casas para, literalmente, morar nas ruas da capital baiana neste período, com o objetivo de melhorar a renda ou até mesmo fazê-la a única por meses.

O trabalho dessas pessoas nos faz refletir sobre melhores condições estruturais. Vendedor “ambulante” ou “informal” não quer dizer sem direitos a melhores condições de trabalho. Apesar de estarem em uma outra configuração laboral para além de uma carteira assinada, os trabalhadores precisam de maior visibilidade e estrutura.

Enquanto passei pelos circuitos Barra-Ondina e Campo Grande, vi mulheres, crianças, idosos tendo produtos esmagados pela multidão e até mesmo levados por foliões que aguardavam entre um aperto e outro.

Alguns estudos relacionam informalidade com precariedade de trabalho. Contudo, eles são distintos. Diante da crise econômica nacional dos últimos cinco anos, com um contingente de desempregados estimado em 519 mil em Salvador, em 2018, de acordo com o DIEESE, muitos trabalhadores acreditam que são capazes de atingir melhores rendimentos realizando atividades por conta própria. E para não provocar uma concorrência desleal com o comércio estruturado na capital baiana, que também sofre com a queda na economia causada pela crise econômica, é preciso reorganizar.

Para além de presidente da Câmara, como vereador, opino como cidadão e acredito que ações articuladas entre secretarias que cuidam do ordenamento público, do emprego e renda, de ações sociais e da educação conseguirão trazer tranquilidade para todos os habitantes da cidade. Oportunizar cursos de qualificação profissional não só para o mercado formal, fará com esses trabalhadores se sintam mais humanizados.

Outro passo importante é a parceria com o Sebrae. Palestras de gerenciamento do próprio negócio contribuem para a capacitação. No entanto, essas ações, que inclusive já são realizadas pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) precisam abranger o maior número possível de trabalhadores. Respeitar o trabalho do próximo, a individualidade de cada um, mas dentro de um ambiente social é viver a cidadania.

Geraldo Júnior
Presidente da Câmara de Vereadores de Salvador

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