Festival de Humor protagoniza discussões raciais no teatro

Nos dias 20, 21 e 22 de dezembro, Festival Humor Negro reunirá nomes do humor nacional no Teatro Jorge Amado (Pituba). O Festival é realizado pela Benvindo Produções e visa promover o recorte racial analítico na pauta da comédia, assim como, fortalecer as produções com estes contextos.

A baiana Maíra Azevedo abre a programação e apresenta seu apresenta o talk show “De Cara com Tia Má”, na sexta-feira 20. Na noite seguinte (21), o palco ficará por conta da carioca Luana Xavier, estreando em Salvador sua comédia Luana no País das Maravilhas. O encerramento do Festival Humor Negro será por conta da dupla Sulivã Bispo e Thiago Almasy, mais conhecidos como Júnior e Mainha – na peça Na rédea curta. Os ingressos já estão sendo vendidos no site ingresso rápido e custam R$ 50 individual e R$ 120 o passaporte (ingressos para os três dias).

Luana No País das Maravilhas é uma comédia que apresenta a personagem de uma atriz negra e gorda que se vangloria por ter uma longa carreira, no qual se destacou por seus papéis de protagonismo. De uma forma crítica e ao mesmo tempo lúdica, o texto de Herton Gustavo Gratto, faz com que o público reflita sobre a realidade das mulheres negras no Brasil pelo prisma da arte. A peça é dirigida por Mariana Jaspe.

Nesta mesma linha, Tia Má retorna ao palco Teatro Jorge Amado, agora com seu talk show que aborda situações constrangedoras das relações sexuais. Além disso, de forma bem humorada, conversa com o público sobre o universo dos relacionamentos amorosos. Já o espetáculo Na rédea curta é protagonizado por dois jovens negros e leva aos palcos a relação de uma mãe solo com seu filho adolescente, em na periferia de Salvador. Os diálogos também pontuam expressões do vocabulário “baianês” e divertem o público com a valorização desta forma própria de falar.

“A pauta racial está presente na linguagem, texto, cenário, figurino dos três espetáculos e é isso que queremos pautar, visando resinificar algumas expressões populares”, explica a produtora Val Benvindo que defende a escolha do nome Festival Humor Negro. “Acho que é mais fácil resinificar algumas expressões do que tira-las do nosso vocabulário”, destaca a idealizadora do projeto, referindo-se aos diferentes entendimentos que “humor negro” possui.