Transporte público de Salvador: um modelo falido

Artigo do de Salvador, Hélio Ferreira

Desde 2014, quando houve a licitação do transporte público de Salvador, a população sofre com tarifas caras, insuficiência de linhas e horários, além da falta de segurança e de ônibus melhores. Essa precarização também atinge os , que sofrem com a sobrecarga do serviço e temem pela perda dos postos de trabalho. Já são quase 500 ônibus a menos, prejudicando a população e os trabalhadores. Esse triste cenário é uma tragédia anunciada que tenho alertado há 06 anos, mas infelizmente eles ignoraram.

Anteriormente eram dezoito empresas de ônibus operando na cidade, mas após a licitação esse número foi reduzido para apenas três. A prova de que esse atual modelo está errado é que uma dessas três empresas já está sob intervenção da prefeitura. Não podemos achar que a intervenção resolverá os problemas em definitivo, pois no passado a prefeitura também administrou a sua própria empresa de ônibus (Transur) e o resultado foi negativo. A intervenção deve ser vista apenas como o primeiro passo de uma série de ações que venham revitalizar os transportes públicos de Salvador.

O público não sobrevive nas grandes cidades do Brasil se não tiver subsídio e tarifas sociais. Segundo pesquisas cerca de 32% da população utiliza os coletivos para se locomover na cidade. Quase 30% utiliza outros meios de transporte, como bicicletas, carros e motos. Mas uma considerável parcela da população, cerca de 30,9%, não pegam ônibus por falta de condições. A exclusão faz com que essas pessoas, os desempregados, estudantes de escola pública e idosos com menos de 65 anos, não tenham acesso à educação, saúde e lazer. Com a tarifa social essas pessoas ganhariam o acesso aos coletivos para que o problema de exclusão fosse sanado.

Além disso, somente o uso de ar condicionado nos novos ônibus e a implantação do BRT não irão resolver o problema da deterioração dos transportes públicos. Não podemos pensar a questão de forma isolada e desmembrada do problema de mobilidade urbana existente. Não adianta implantar medidas paliativas em uma cidade congestionada, onde se gaste cerca de uma hora e meia ou até mais no deslocamento da Estação da Lapa até Cajazeiras.

Também entendo que é preciso rever o atual contrato de licitação. No modelo anterior, se uma das 18 empresas de ônibus precisasse fechar as portas por dificuldades financeiras, seus e suas respectivas linhas eram rapidamente absorvidos por uma das outras empresas restantes. No modelo atual, onde existem apenas três empresas operando, torna-se difícil esse remanejamento devido às características presentes no acordo. Entendo que esse contrato deve ser revisto para que novas empresas possam operar as linhas e caso não voltemos às 18 anteriores, pelo menos 10 já melhoraria bastante o atual cenário.

Não vou descansar enquanto existir tanta precarização para usuários e trabalhadores do sistema de transporte por ônibus de Salvador. Os quase trinta anos atuando nesta área me permitiu acumular bastante conhecimento e isso se reflete em diversos projetos de minha autoria voltados para os transportes públicos.

HELIO FERREIRA
Vereador de Salvador (PC do B)

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