“Eu tô passando fome”, diz cantor do Samba Comunidade após ‘live’ ser interrompida e equipamentos aprendidos

Uma live da banda Samba Comunidade que acontecia em uma laje no bairro do Engenho Velho de Brotas, em Salvador, foi interrompida durante a Operação Sílere da Polícia Militar e Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, no final da tarde deste domingo (21/02). Equipamentos foram apreendidos e os trabalhadores ficaram revoltados.

Em conversa com o Informe Baiano, o cantor da banda, Wellington Dinho, disse que as equipes da Sedur agiram com “truculência”, mas “a PM tratou com respeito”

“A casa foi invadida pela polícia e pela Sedur. Apreenderam minha mesa de som e ficaram procurando equipamentos. Aí acharam uma caixinha de som de bluetooth. Nem som alto eu estava usando. Eu não estava usando nem caixa de som. Todo mundo de fone. Irmão, não tinha público, nem excesso de pessoas. Eu não tava fazendo aglomeração. Estavam apenas os músicos e as pessoas da filmagem. Minha live tinha que acabar 19h30 e antes das 19h eles chegaram aqui. Isso é perseguição porque a gente é favelado”, disparou.

“Ajuda a gente aí parceiro, por favor. Eu não aguento mais, eu não tava fazendo nada errado. Eu estava fazendo igual a live do Encontro dos Gigantes. Bell fez um encontro lá na Marina da Contorno com várias lanchas e ninguém fez nada. Ivete colocou a banda em cima de uma cobertura no Horto e cantou. Eu não sou ser humano, não? Meu trabalho foi pro povo ficar dentro de casa também. Não fiz nada de errado. Eu já tive uma mesa de som apreendida e eu nem consegui chegar para pagar o DAM. Essa foi a segunda já. O toque de recolher não é até 22h?”, questionou.

O artista ainda fez um desabafo e chorou durante a entrevista por telefone ao IB.

“Estou passando fome, eu preciso fazer o que Deus me deu, meu dom, que é cantar. Eu tenho um ano que eu não ganho um real. A prefeitura e o governo não me deram nada. Nem o auxílio que todo mundo ganhou eu fui contemplado, pois meu nome é registrado na Ordem dos Músicos. Eu tenho dois filhos, tenho esposa e tenho uma mãe de 80 anos. O governo cortou a aposentadoria de minha mãe e já tem três meses que ela não recebe um centavo, pois disse que tinha que descontar um bocado coisa. Eu tô passando um sufoco, véi. Eu tô passando fome, acredite, eu tô passando fome!”, relatou.

“Eu vou ter que ir pra sinaleira pedir dinheiro. Nem vender picolé eu posso porque o povo não tem dinheiro para comprar. Eu vou fazer o que, véi? Eu vou roubar? Eu vou virar um traficante, é? Minha live era a Micareta da Comunidade. Convidei cantores das antigas, como Eddy Pureza, Jái que era do Pracatá, Mário Brasil do Troco e a banda Salamar. Só faltava a participação de Deni do Raça Pura. Eu não fiz semana passada de carnaval porque tiveram várias lives e aí eu pensei em fazer algo diferente na semana seguinte para justamente não concorrer com os grandes artistas. Afinal, depois do carnaval vem a micareta”, concluiu o vocalista do Samba Comunidade.

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