Suicídios assustam baianos e psicóloga alerta para importância de discutir o tema

Um caso de suicídio ocorrido na manhã desta quinta-feira (08/04), no bairro do Comércio, em Salvador, assustou a população baiana. Diversos vídeos e fotos da triste cena rapidamente viralizaram nas redes sociais. Mensagens no WhatsApp disseram que o homem era ex-policial, mas a informação não procede. No último domingo, outra ocorrência parecida chamou a atenção nas redes sociais quando uma mulher tentou tirar a vida nas imediações do Doron. A vítima sobreviveu.

Consultada pelo Informe Baiano sobre a problemática, a psicóloga Niliane Brito (Instagram: @nilianebrito) afirmou que tem percebido um aumento dos casos. Porém, pontuou que “tem se falado mais sobre o assunto” e “falar ajuda”.

“É por isso que existe também o Setembro Amarelo, que em 2003 a Organização Mundial de Saúde (OMS) intitulou o dia 10 de Setembro para ser o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. É um dia que tem mais destaque, mas não quer dizer que em outros dias a gente não tenha que falar e abordar esse tema tão relevante e tão importante”, pontuou ao acrescentar que boa parte dos episódios poderia ser evitada.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o suicídio é um problema de saúde pública e em todo o mundo, até 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos. O número equivale a uma morte a cada 40 segundos. Na Bahia, não há dados ainda atualizados esse ano sobre quantidade de suicídios.

Tristeza e depressão

Niliane Brito pontuou que existem duas situações que não podem ser confundidas. Ponto um: a tristeza, que é algo comum ao ser humano. Todos passam por conflitos e isso é absolutamente normal. A segunda e aí sim extremamente preocupante é a depressão.

“O sujeito fica em profundo sofrimento em muito mais de duas semanas e com comportamentos autodestrutivos, sensação de vazio a todo momento, suas atividades diárias ficam comprometidas, não consegue realizar pequenos hábitos do dia-a-dia, como por exemplo, escovar os dentes e tomar banho. Hábitos frequentes do dia-a-dia ele tem maior dificuldade em realizar. Isso é um transtorno. Então, é importante saber diferenciar a tristeza de um transtorno mesmo. Ficar triste é uma condição humana, mas ficar em depressão é um transtorno, é uma doença”, sentenciou.

A especialista disse ainda que “tudo é muito relativo e cada caso é um caso”. O “gatilho” pode ser acionado devido a diversos fatores.

“Algumas questões podem desencadear os sintomas. Mas para ser diagnosticado é preciso alguns indicadores, como por exemplo, experiências estressantes, picos emocionais, traumas, abuso na primeira infância, abuso de álcool ou drogas, problema de saúde ou dores crônicas, doenças cerebrais, alterações na estrutura do cérebro, distúrbio do sono, são algumas questões”, exemplificou.

“A depressão atinge cada sujeito de uma forma. É única e subjetiva. Então, é essencial procurar ajuda profissional para trabalhar essas questões. No menor sinal, procure o especialista. O sujeito em uma depressão profunda enxerga sua vida, muitas vezes, sem sentido, como se tivesse uma venda nos olhos e como se ficasse tudo em preto e branco, além de enxergar seus problemas como grandes catástrofes”, afirmou.

“A psicoterapia pode ajudar a melhorar essa percepção e diminuir a gravidade e intensidade dos sintomas, além de ter uma imagem severa de si mesmo, do mundo e do futuro”, complementou.

A psicóloga também deu algumas dicas para viver de forma saudável, como por exemplo, exercícios físicos e “trabalhar a respiração, independente se vai fazer meditação ou ioga”.

“Além disso, você perceber suas emoções e abraçá-las. A tristeza não é sua inimiga, a ansiedade não é sua inimiga, a ansiedade ela é adaptativa, ela lhe ajuda a passar pelo perigo e por ameaças. Agora, se isso começa a atingir seu dia-a-dia, aí sim, vira um transtorno. Você não vai colocar uma corrente nas emoções e ficar lá. É normal ficar triste. Então, viva esse luto e passe por esse luto”, disse.

Niliane alertou também para alguns mitos. “’Ah, se ele falou que vai se matar, ele não vai se matar’. É mentira. A gente não pode definir o que vai acontecer e o que não vai acontecer. E outra coisa a pessoa quando tira a própria vida, ela basicamente não está querendo tirar a vida, deixar de viver. Ela está querendo deixar que a dor exista. Querendo que a dor deixe de existir”, finalizou a psicóloga.

“Brotas registra muitos casos”.

Representante da região de Brotas no legislativo, o vereador Marcelo Maia disse que não tem dados precisos sobre casos de suicídios, mas “percebe-se claramente que é uma das principais causas de morte atualmente na região de Brotas. Brotas registra muitos casos”.

“Ano passado, somente em um mês, foram quatro pessoas que perderam a vida (em um mesmo local). E algumas pessoas dizem que depressão é frescura, mas não. As pessoas desconhecem por ignorância. Dizem até que é doença de ricos. É algo que precisa discutir, sim”, concluiu.

Gestores preocupados

Questionado pelo IB sobre o assunto, o prefeito da capital baiana, Bruno Reis, afirmou no mês de março que há um crescente aumento da procura por psiquiatras no atual período. Levantamentos de profissionais de saúde indicam que as buscas por atendimentos de saúde mental subiram mais de 45%.

“Aumentamos a nossa demanda por procura desse tipo de atendimento e se necessário for, nós também iremos adotar outras medidas que foram adotadas lá atrás para dar mais suporte psicossocial as famílias da nossa cidade”, pontuou.

Atualmente em Salvador, há dois centros de Atenção Psicossocial (Caps) do tipo III, especializados no tratamento e reinserção social de pessoas com transtornos graves e persistentes.

Secretário municipal de Saúde, Leo Prates afirmou que “realmente é uma área que precisamos avançar bastante” e revelou que até mesmo crianças sofrem com distúrbios.

Prates citou também que a gestão municipal em parceria com o governo estadual vai inaugurar um Caps III no bairro de Pau da Lima e está trabalhando para modificar dois Caps do tipo II para o tipo III. Com isso, essas duas Caps vão funcionar 24h. Também, conforme o secretário, há dois médicos psiquiatras atuando na UPA da Cidade Baixa.

“A idéia é que todas as UPAs tenham (psiquiatras), pois o objetivo do município é trabalhar com prevenção da saúde mental. Nós não temos uma política hospitalar no município, não é função do município. Mas a gente tem que pegar quando tem o surto”, disse Leo.

Prates revelou que em novembro do ano passado, quando Bruno Reis ainda era vice-prefeito, os dois discutiram o tema. Além disso, o Executivo Municipal reforçou que enviará em breve um projeto sobre politica de saúde mental para a Câmara Municipal.

Rede de Atenção Psicossocial

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou ao IB que atualmente a Rede de Atenção Psicossocial no município conta com os seguintes serviços especializados em saúde mental: 20 CAPS, sendo 18 municipais, 01 contratualizado e 01 estadual. Destes, 14 são CAPS II, 03 CAPS AD (Álcool e Outras Drogas), sendo que um deste é Tipo III (funcionando 24h), 02 CAPS i (Infanto-juvenis), 03 Centro de Saúde Mental (ambulatório).

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