Considerada uma doença devastadora e que afeta o cacau, a praga Moniliophthora roreri, conhecida como Monilíase do Cacaueiro, é uma das principais preocupações, neste momento, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB). Na terça-feira (21/03), em audiência pública que tratou sobre os impactos da importação de cacau africano para o Brasil, na Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), especialistas em agronomia, produtores rurais e deputados falaram sobre o tema.
“A gente pode afirmar que ela vai chegar na Bahia. Não sabemos quando, mas vai chegar. Há um risco muito grande, já que são muitos caminhões saindo do Norte para a Bahia”, pontua o diretor-geral da ADAB, Paulo Sérgio Menezes Luz. O primeiro foco da praga no Brasil foi identificado em julho de 2021, em área residencial urbana do município de Cruzeiro do Sul, interior do Acre.

O gestor afirmou que o órgão já “reforçou a vigilância fitossanitária” e vai realizar “campanhas educativas para atrasar ao máximo a chegada da Monilíase”.
Paulo Sérgio disse ainda que “o dano que a vassoura de bruxa causou” é bem inferior ao dessa praga. “A Monilíase pode causar um prejuízo duas vezes maior”, sentencia.
Em conversa com o INFOAGRO BAHIA, o médico-veterinário e advogado Fábio Alexandre Rosa Rodrigues, que é superintendente federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento na Bahia (SFA-BA), esclareceu que a doença geralmente inicia nas zonas urbanas, “dissemina muito rápido” e tem “potencial de dizimar 100% a lavoura do cacau”.
“Geralmente um turista traz a semente no bolso, na bolsa e planta ali no quintal de casa pra ter o cacau e aí junto com essa semente, que não passou por uma inspeção a nível de portos e aeroportos, vem a doença. Já são dois estados que aconteceram isso aqui no Brasil, o Acre e a Amazônia. Inclusive, a Amazônia passou por uma restrição completa até que se resolvesse a situação”, lembrou o baiano de Ribeira do Pombal.
“Eles disseminam muito rápido. Produz bilhões de esporos. Então imagine esporos pelo ar se disseminando em cima de uma lavoura cacaueira. É terrível. É uma doença exótica. Então, até se aprender e conviver é muito difícil o combate. Mas tem países que convivem já. Tomara que não chegue no Nordeste. A gente está aumentando as vigilâncias, estamos tomando medidas de treinamento com os produtores para identificação e eliminação da doença antes que atinja uma lavoura. Chegou e identificou um pé de cacau em um quintal com característica da doença a gente erradica logo”, finaliza Fábio Alexandre.
Monilíase devastadora
A monilíase é uma doença devastadora que afeta plantas do gênero Theobroma, como o cacau (Theobroma cacao L.) e o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), causando perdas na produção e uma elevação nos custos devido à necessidade de medidas adicionais de manejo e aplicação de fungicidas para o controle da praga.
Na América do Sul, a praga já se encontra presente também no Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Peru. “Devido às suas características peculiares (fronteira com países onde a praga já ocorre e condições geoclimáticas favoráveis à sua dispersão, entre outras) a região da Tríplice Fronteira Norte já era considerada como área de risco de introdução de Moniliophthora roreri no Brasil e vinha sendo monitorada rotineiramente ao longo dos últimos anos”, relata a coordenadora-geral de Proteção de Plantas, Graciane de Castro.
Agora, a partir da confirmação do foco, o Mapa adota as medidas cabíveis de contingência aplicadas à situação, em conjunto com as demais instituições oficiais de Sanidade Vegetal e de pesquisa envolvidas, visando evitar a disseminação da praga para as áreas de cultivo de cacau e cupuaçu em outras regiões.
“Os levantamentos fitossanitários de detecção (monitoramentos) permitem a identificação precoce de uma eventual ocorrência de pragas exóticas no país e, consequentemente, a adoção imediata de medidas de contenção e controle com o objetivo de evitar sua dispersão para as demais áreas sem ocorrência da praga”, explica Castro.
Monilíase do Cacaueiro no Brasil
O primeiro foco da praga no Brasil foi identificado em julho de 2021 em área residencial urbana no município de Cruzeiro do Sul, interior do Acre. Atualmente o estado encontra-se sob ações permanentes de controle, com vistas à sua erradicação.
Em agosto de 2022, o Mapa prorrogou, por um ano, o prazo de vigência da emergência fitossanitária relativa ao risco iminente de introdução da praga quarentenária ausente Moniliophthora roreri nos Estados do Acre, Amazonas e Rondônia.
Devido ao seu potencial de danos às culturas que atinge, é de fundamental importância a notificação imediata de quaisquer suspeitas de ocorrência da praga às autoridades fitossanitárias locais. O objetivo do Ministério da Agricultura é conseguir erradicar a praga na maior brevidade possível, enquanto ainda se encontra em uma área restrita do país. A doença atinge somente as plantas hospedeiras do fungo, sem riscos de danos à saúde humana.
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