O arco de alianças na sucessão da Bahia não está definido; Rui perde coligados. Por Ramon Margiolle

O vozeio nos bastidores do Poder é que muita gente vai pular do barco petista. O motivo é simples. Ninguém suporta o desprezo e as vazais orquestradas contra os partidos coligados, como também propagandas direcionadas a fim de macular o trabalho desenvolvido pelos parlamentares. Porém, o momento não é agora, mas está próximo. Não foi à toa que o sertanejo de fibra da cidade de Rui Barbosa, o senador Otto Alencar, puxou a orelha do governador durante uma entrevista ao Informe Baiano recentemente. O cacique do PSD lembrou que ninguém ganha eleição sozinho. O recado foi claro, duro e direto: “é importante que dentro da relação política tenha verdade”, sentenciou Otto, que notabilizou-se na vida pública como um homem de palavra, cangote grosso e cabeça erguida. Mas que não admite humilhações. Dizem os antigos: era um dos poucos tratados com absoluto respeito pelo doutor Antônio Carlos Magalhães. Anote, uma hora dessa ele se aborrece com a falta de liderança do governador Rui Costa.

Para se ter ideia da crise até então silenciosa instalada na articulação da gestão estadual, há dois meses nenhum projeto é votado na Assembléia Legislativa da Bahia (ALBa). No mínimo estranho! A própria base petista, inclusive, já ensaia a retirada do deputado Rosemberg Pinto da liderança do bloco. Quem também está na berlinda é o simpático Zé Neto de Feira de Santana, que não sabe mais o que falar para manter unida a bancada de situação.

E não é só isso. Até o deputado federal Cacá Leão, vale ressaltar, filho do vice-governador e secretário de Planejamento João Leão, revelou publicamente “insatisfação”. Disse que “o processo de 2018 ainda é muito escuro”. Pior, afirmou que é amigo e irmão do vice-prefeito de Salvador, Bruno Reis (PMDB), e que tem afinidade, além de ideias convergentes com as de ACM Neto, candidato ao Governo. Pode-se dizer, sim, que já está trabalhando internamente para acabar o apoio do Partido Progressista (PP) a Rui.

Outro ponto importante que faço questão de ressaltar é a superação da crise do Governo Temer, que ao contrário de Dilma, teve habilidade para dialogar com as Forças Armadas e com o Congresso. Está tornando-se imbatível. É fato, queira ou não, Temer não cai. Por fim, pergunto: Rui Costa, qual vai ser seu discurso, já que uma das principais bandeiras do PT na última campanha era alinhar o Governo da Bahia com o Governo Federal?

 

Por Ramon Margiolle
Diretor de Conteúdo do Informe Baiano
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