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Casa de Apostas Arena Fonte Nova é piada pronta; mas o que vale mesmo é o ‘faz-me rir’

“Ei, você aí
Me dá um dinheiro aí”
(Me dá um dinheiro aí, de Ivan,
Glauco e Homero Ferreira)

Façam seu jogo, senhores. A Casa de Apostas abrirá suas portas para os amantes do futebol na noite do próximo dia 17, uma quarta-feira, com o confronto entre Bahia e Jequié pela primeira rodada do Baianão de 2024. Vamos lá. BBMP!

Nas casas de apostas, é possível fazer uma combinação quase infinita de apostas em torno da peleja. Pode-se apostar em qual será o time vencedor, qual será o placar final da partida, no número de gols e em quem será escolhido o melhor jogador em campo e também no número de cartões amarelos e vermelhos, de faltas, de escanteios…

Casa de Apostas é também, a partir de agora, o novo nome da Fonte Nova, o estádio (hoje se diz arena, como os anfiteatros romanos onde gladiadores se enfrentavam até a morte) construído pelo Governo do Estado por meio de uma até hoje questionada parceria com um consórcio formado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht, que o administra.

Oficialmente, a arena (vá lá que seja) chama-se Complexo Esportivo Cultural Octávio Mangabeira. Mas logo ganhou a denominação “Itaipava Arena Fonte Nova”, graças a um contrato de naming rights assinado entre a cervejaria e o consórcio.

O naming rights é a prática de nomear um evento ou local com o nome de uma empresa, com o objetivo de criar e fortalecer uma imagem positiva dela perante o público que os frequenta.

Na prática, o naming rights não funcionou a contento para a Itaipava, que não o renovou. Nos dez anos de duração do contrato, que rendeu R$ 100 milhões ao consórcio, a mídia, os torcedores e o público em geral quase sempre se referiram ao local simplesmente como Fonte Nova – o apelido dado pelo povo ao antigo Estádio Octávio Mangabeira, inaugurado em 1951 e implodido em agosto de 2010 para a construção da nova arena.

Convenhamos que batizar a arena baiana de Casa de Apostas é uma piada pronta, diverte-se, mas sem esconder uma certa indignação, o experiente jornalista Antonio Pastori, com a autoridade de quem cobriu dezenas e dezenas de jogos desde o tempo em que a gente chamava a Fonte Nova de estádio.

Dá pra rir, de fato. Mas o que vale mesmo é a força da grana, o “faz-me rir”. A Casa de Apostas vai pagar nada menos que R$ 13 milhões anuais, durante quatro anos, pelo direito de colocar seu nome e sua marca na fachada da arena – que o povo vai continuar chamando simplesmente de Fonte Nova.

Mas, se o novo nome da Fonte Nova virou piada, o bicho pegou nas bandas do Barradão, o estádio do Vitória. Lá, a Fatal Model, empresa que atua na intermediação entre garotas e garotos de programa e seus clientes, queria estender o naming rights também ao nome do clube, que passaria a chamar-se “Fatal Model Vitória”, mediante um contrato no valor de R$ 200 milhões, com dez anos de duração.

Os sócios do Vitória, pelo voto, rechaçaram a proposta de renomear o clube com a incorporação do nome da empresa de acompanhantes. Mas, como no caso da Fonte Nova, a força da grana também prevaleceu: autorizaram a diretoria a abrir negociação com a Fatal Model para um contrato de naming rights abrangendo apenas o estádio, no valor de R$ 100 milhões por um período de 10 anos.
As negociações ainda estão em andamento. Se correr tudo bem, o primeiro Ba-Vi do ano, no dia 18 de fevereiro, um domingo, será na “Arena Fatal Model Barradão”.

Quem quiser ir acompanhado, já sabe: é só conectar. Já para quem quer apenas fazer apostas, o caminho é outro.

José Carlos Teixeira
José Carlos Teixeira
É jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública pela Universidade Católica do Salvador
Fundação Jose Silveira

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