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Orquestra Sinfônica vira fenômeno pop, lota suas apresentações e gera ciúmes

“E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor”
(A Banda, de Chico Buarque de Holanda)

Em menos de 15 minutos uma cota de 2.500 ingressos colocados à venda com antecedência, exclusivamente pela internet, se esgotou. E no dia da apresentação, no domingo passado, 7, uma enorme fila se formou na bilheteria do Teatro Castro Alves, com centenas de pessoas disputando os 1.900 ingressos da segunda cota, para venda unicamente presencial, também rapidamente esgotada.

Não, meu caro leitor, essa intensa procura não foi para um show de Maria Bethânia – uma imbatível campeã na capacidade de esgotar ingressos de suas apresentações em poucos minutos. Também não foi para a sonhada apresentação da Queen Bey, acalentada por seus fãs baianos depois da fugaz passagem dela por Salvador para a pré-estreia do filme “Renaissance: a film by Beyoncé”.

Esse campeão de vendas, amável leitora, é uma dessas entidades tradicionalmente pouco afeitas a atrair multidões, cujos repertórios são tidos como elitistas. No caso, a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), que se transformou em uma atração pop, cultuada por uma legião de fãs que vêm lotando a Concha Acústica e outros espaços em suas apresentações.

A Osba transformou-se em um fenômeno pop depois que seu diretor artístico, o maestro Carlos Prazeres, passou a incorporar ao repertório da orquestra peças de cunho mais populares que os grandes clássicos, como temas de filmes – executados com alguns músicos usando trajes de personagens do mundo do cinema – e clássicos da MPB, enverando pelo universo do forró, do rock, do carnaval e até da chamada música brega.
A iniciativa passou a atrair os jovens, inicialmente, e mais tarde, outros não tão jovens, transformando em realidade o sonho de toda e qualquer orquestra sinfônica: ver seu público crescer e renovar-se. Mas, como sempre ocorre, o sucesso também gerou críticas e manifestações de ciúmes.

Argumentam alguns críticos que o custo da Osba, em um estado pobre como a Bahia, só se justifica se for para executar o repertório dos clássicos considerados patrimônio da humanidade. Com isso, insinuam que a Osba trocou os clássicos pela música popular, o que não é verdade. No ano passado, cerca de 90% das músicas executadas em concertos da Osba foram peças clássicas de autores como Mahler, Brahms, Tchaikovsky, Ravel, Puccini, Mendelssohn, Strauss, Prokofiev, Villa-Lobos, Bach e tantos outros.

A apresentação de domingo passado foi uma homenagem a Caetano Veloso e teve um repertório composto por uma seleção das obras do aclamado compositor baiano, com as participações especiais dos cantores Lazzo Matumbi, Mariene de Castro, Mãeana, Moreno Veloso e o coletivo Outras Vozes.

A Concha Acústica lotada e os aplausos – quase sempre de pé – do público indicam que a Osba trilha o caminho certo, dialogando com as várias facetas da cultura baiana e aproximando-se cada vez mais daqueles que a mantêm com seus impostos. Como diz o maestro Carlos Prazeres, ela “não pode ser um disco voador vienense pousado em terras baianas”.

Seja você também um “crush” da Osba, uma orquestra plural e sem preconceitos que tem feito pela cultura baiana mais que todo o burocrático e inerte estamento do setor cultural do governo do Estado.

Vá ao próximo concerto. Mas fique ligado: os ingressos esgotam rápido.

José Carlos Teixeira
José Carlos Teixeira
É jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública pela Universidade Católica do Salvador
Prefeitura Luis Eduardo Magalhães

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