Exemplo de imagem responsivaGoverno do Estado da Bahia
Informe Baiano
Exemplo de imagem responsivaGoverno do Estado da Bahia

Tudo bem sonhar com a ponte, mas o governo poderia dar um pouco de atenção ao sistema ferryboat

“Rema, rema, rema, remador
Quero ver depressa o meu amor
Se eu chegar depois do sol raiar
Ela bota outro em meu lugar”
(Marcha do Remador, de Antônio
Almeida e Oldemar Magalhães)

Nunca a Bahia recebeu tantos turistas. É o que dizem os empresários do setor, todos rindo para as paredes, entusiasmados com a crescente movimentação de visitantes nas diversas zonas turísticas do Estado. Hotéis lotados, restaurantes cheios, praias idem, festa para todo lado (ah, esse jeito baiano de ser!) são indicadores reais de bons negócios na temporada.

As autoridades, igualmente felizes, confirmam o bom momento do turismo baiano. Nas estimativas da Secretaria de Turismo do Estado, a Bahia, este ano, vai receber nada menos que 6,5 milhões de visitantes somente na chamada alta estação. Destes, pelo menos metade passará por Salvador, acredita a prefeitura da capital, que tem investindo pesado em uma programação de eventos de grande apelo turístico que culminará com o Carnaval.

Nem todos, porém, fazem a lição de casa e trabalham para que o turismo assuma um peso relevante na composição do Produto Interno Bruto da Bahia (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no Estado). Há aqueles que pouco ligam para os visitantes. Pelo contrário, agem como se eles não tivessem importância alguma para a economia do Estado. Por negligência ou despreparo, vá lá saber.

Veja-se o caso do sistema ferryboat, que liga Salvador à Ilha de Itaparica e é operado pela empresa Internacional Travessias Salvador, a atual concessionária. Para a Internacional, não existe baixa ou alta estação: o serviço é ruim o ano inteiro. E não estamos falando só das filas quilométricas, que obrigam os usuários a esperas de até mais de seis horas para embarcar. Incluam-se aí também os repetidos casos de barcos à deriva e até mesmo barbeiragens como o choque de embarcações. Tudo sob a eterna complacência da Agerba, a Agência Estadual de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia, a quem compete a fiscalização.

Nesta última quarta-feira, 17, a Internacional Travessias anunciou que o ferryboat Zumbi dos Palmares passará por uma parada programada entre os dias 22 e 26 de janeiro para manutenção. Candidamente, a empresa antecipa que inevitavelmente haverá aumento nas filas de embarque no período e agradece “a compreensão e a colaboração de todos”.

Ora, se estamos falando de uma manutenção programada, por que não a programar para outro período que não o pico do verão, quando, é óbvio, a demanda aumenta exponencialmente e exige toda a frota em operação?

Voltemos ao que se questionou lá atrás: negligência ou despreparo? Certamente a soma desses e de outros fatores resultantes de incúria gerencial, imperícia e falta de manutenção – sempre em prejuízo do usuário, seja ele baiano ou turista.

E antes que a atenta leitora me questione sobre o que o governo estadual faz em relação a tudo isso: ah, minha cara, o governo fecha os olhos para melhor sonhar com a tantas vezes anunciada ponte Salvador-Itaparica que nunca chega.

José Carlos Teixeira
José Carlos Teixeira
É jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública pela Universidade Católica do Salvador
Prefeitura Luis Eduardo Magalhães

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