Exemplo de imagem responsivaGoverno do Estado da Bahia
Informe Baiano
Exemplo de imagem responsiva Prefeitura de Salvador

Os poderes de Grayskull ou de como a força é pouco para enfrentar a crise na segurança

“No mundo de Etérnia bem distante daqui
Na luta pela paz um guardião vai surgir
A força e a coragem, ele nasceu para o bem
Os músculos de aço, nosso herói é He-Man”
(He-Man, de Sullivan e Massadas)

“Eu tenho a força!”, emulou o governo baiano, como se fosse He-Man, o invencível herói do reino de Etérnia, depois que a crise na segurança pública da Bahia, marcada pelo crescente avanço da criminalidade e pela escalada dos chamados crimes violentos letais, ganhou dimensão nacional, com reflexos negativos diretos até mesmo na avaliação da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pouco adiantou, porém, o recurso aos poderes de Grayskull, como fazia o pacato príncipe Adam, alter-ego de He-Man, para enfrentar as investidas do vilão Esqueleto, no desenho animado criado pela Mattel (a mesma fabricante da Barbie) para vender bonecos dos personagens – a exemplo do que ocorria com a franquia Star Wars.

Mesmo registrando uma queda de 6,36% no número de homicídios dolosos, na comparação com o ano anterior, a Bahia fechou o ano mais uma vez na liderança do trágico ranking nacional em 2023, com 4.622 casos contabilizados, conforme anunciado nesta quarta-feira, 21, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Os números atestam que a Bahia segue imbatível em sua trajetória de campeã de homicídios dolosos, deixando em segundo plano até mesmo o Rio de Janeiro, onde há anos se trava uma verdadeira guerra envolvendo facções criminosas, narcotraficantes, milícias, policiais e até mesmo tropas das Forças Armadas.

Na verdade, são dois títulos nacionais na área de segurança conquistados pela Bahia no ano passado, o primeiro do governo Jerônimo Rodrigues – nenhum deles, no entanto, merecedor de qualquer comemoração, pelo contrário. Além de líder absoluto em homicídios dolosos (o Rio de Janeiro, segundo lugar, registrou 3.566 casos, 35,66% menos que no ano anterior), a Bahia é também campeã de letalidade policial.

No ano passado, o Estado contabilizou 1.689 mortes por intervenção policial – que é o jeito mais ou menos discreto de dizer que a polícia baiana matou 5 pessoas por dia em 2023, um aumento de 15,05% na comparação com o ano anterior.

Os números demonstram claramente que o aumento das ações militarizadas não é o caminho mais adequado para superar a crise na segurança pública da Bahia. Aliás, como bem sublinhou o próprio PT, partido no poder na Bahia há mais de 17 anos, em sua resolução para as eleições de 2024, publicada no final de agosto passado:

“A violência é um método inaceitável de ação por parte das polícias estaduais, que atinge a população mais jovem, pobre e preta do nosso país, assim como tem incidência nos próprios policiais”, diz o documento.

Nem mesmo o herói de Etérnia desconhecia isso. Como bem sabem todos os que eram crianças nos anos 1980 e início dos 1990, He-Man não largava a espada de Grayskull, mas, por incrível que pareça, nunca a usou em combate contra algum inimigo. Geralmente a usava para golpear um ou outro elemento do ambiente ou para se defender de tiros dos inimigos. Para ferir ou destruir ou destruir alguém, nunca.
É que, ao contrário do que pensam alguns desavisados, os poderes de Grayskull não se limitavam à força física. He-Man recorria mais à inteligência.

A Netflix lançou recentemente uma série com os personagens da antiga franquia. Uma sessão nostalgia viria a calhar.

José Carlos Teixeira
José Carlos Teixeira
É jornalista, graduado em comunicação social pela Universidade Federal da Bahia e pós-graduado em marketing político, mídia, comportamento eleitoral e opinião pública pela Universidade Católica do Salvador
Fundação Jose Silveira

Últimas Noticias

Suspeito de homicídio em Cardeal da Silva é preso em Feira de Santana

Policiais da Delegacia Territorial (DT) de Cardeal da Silva cumpriram um mandado de prisão preventiva, nesta segunda-feira (4), na...