Gustavo Ferraz admite que buscou malas de dinheiro a mando de Geddel

O ex-diretor da Codesal, Gustavo Ferraz, que foi preso na sexta (08) após a Polícia Federal identificar as suas digitais nas malas com R$ 51 milhões apreendidos num ‘bunker’ no bairro da Graça, admitiu que buscou dinheiro para o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) em São Paulo. A quantia teria sido entregue por um emissário do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Gustavo não entrou em detalhes sobre o dinheiro, admitindo, porém, a busca de quantias em 2012. De acordo com O Globo, a declaração foi feita no sábado (09). Ainda segundo a publicação, Geddel decidiu ficar calado no depoimento à PF. Os dois foram presos preventivamente na sexta e transferidos à capital federal no mesmo dia. Eles estão detidos no Presídio da Papuda.

Na decisão da prisão, o juiz Vallisney de Souza Oliveira reproduz o episódio sobre esta busca de dinheiro, apontada pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF). Uma possível fonte dos R$ 51 milhões apreendidos, segundo o MPF, é a “retirada em espécie” a cargo de Gustavo num hotel em São Paulo, em 2012. Gustavo teria recebido dinheiro vivo de um emissário do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como suspeita a PF. O aliado de Geddel deu “auxílio direto e essencial” para a acomodação dos R$ 51 milhões no “bunker”, segundo o MPF.

A PF e o MPF suspeitam ainda que parte da fortuna guardada por Geddel era oriunda de malas e sacolas de dinheiro entregues pelo doleiro Lúcio Funaro, operador de esquemas de políticos do PMDB. A suspeita aparece nos relatórios que embasaram a nova prisão preventiva de Geddel.

No relatório em que pede a prisão do ex-ministro e de seu aliado, o MPF ressalta que já se levantava a possibilidade de ser encontrado dinheiro no “bunker” em razão de depoimento de Funaro à PF. O doleiro disse aos policiais ter feito várias viagens em seu avião ou em voos fretados para “entregar malas de dinheiro” a Geddel. “Essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizado no aeroporto de Salvador, diretamente nas mãos de Geddel. Em duas viagens que fez, uma para Trancoso e outra para Barra de São Miguel, o declarante fez paradas rápidas em Salvador para entregar malas ou sacolas de dinheiro”, cita o depoimento transcrito pelo MPF.

O fato de os R$ 51 milhões terem sido apreendidos em caixas e malas reforçam a suspeita, segundo a Procuradoria da República no DF. “A forma como foram encontrados os valores, em caixas e malas, bem como a expressiva quantia corroboram as declarações do operador financeiro Lúcio Funaro, de que os valores transportados por Funaro tinham como destino o ex-ministro Geddel.”

O ex-ministro é suspeito de receber R$ 20 milhões em propinas para liberação de crédito do FI-FGTS a empresas. Ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013, nomeado no cargo pela então presidente Dilma Rousseff.

Funaro assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR) em que faz acusações a diversos políticos do PMDB, entre eles o presidente Michel Temer. A colaboração já foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), será usada na nova denúncia da PGR contra Temer e permanece sob sigilo. Geddel também é delatado. O depoimento à PF em que o doleiro disse ter entregue dinheiro vivo ao ex-ministro da Secretaria de Governo de Temer foi dado fora do acordo de delação.

Ainda conforme o MPF, o edifício onde estavam o “bunker” com os R$ 51 milhões fica a apenas um quilômetro do prédio onde o político baiano cumpria prisão domiciliar. “A proximidade permite que o deslocamento entre as duas localidades, envolvendo altíssimos valores, seja feito sem maiores imprevistos”, diz a Procuradoria no pedido de prisão.