Salvador e Vitória da Conquista lideram crescimento do PIB na Bahia, aponta IBGE

Os municípios de Salvador e Vitória da Conquista se destacaram como os maiores ganhos de participação no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia entre 2022 e 2023, segundo dados do PIB dos Municípios, divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ambas as cidades são administradas por prefeitos do União Brasil. A capital baiana é governada por Bruno Reis, enquanto Sheila Lemos comanda Vitória da Conquista, o terceiro maior município do estado. O desempenho positivo ocorre em um contexto nacional de desaceleração econômica em regiões altamente dependentes da indústria extrativa, especialmente da exploração de petróleo e minério.

Salvador ocupa a 18ª posição no ranking nacional de maiores ganhos, com variação positiva de 0,02 ponto percentual na comparação entre 2022 e 2023. Apesar do avanço relativo, a participação da capital baiana no PIB brasileiro permaneceu em 0,7% nos dois anos, mantendo o município entre os principais centros econômicos do país, com forte peso do setor de serviços.

Vitória da Conquista aparece na 16ª colocação nacional, também com ganho de 0,02 ponto percentual no período analisado. Assim como Salvador, o município manteve participação estável de 0,1% no PIB nacional entre 2022 e 2023. O resultado coloca Vitória da Conquista como o município do interior da Bahia com melhor desempenho relativo no levantamento divulgado pelo IBGE.

De acordo com o IBGE, a queda nos preços do petróleo e do minério de ferro reduziu a participação no PIB de municípios fortemente ligados a essas atividades. Entre as maiores perdas de 2023 estão Maricá (RJ), com recuo de 0,3 ponto percentual (p.p.), além de Niterói (RJ) e Saquarema (RJ), ambos com queda de 0,2 p.p. Ilhabela (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ) também registraram retração.

Esse movimento contribuiu para uma pausa no processo de desconcentração econômica do país. A participação dos municípios que não são capitais no PIB nacional caiu de 72,5% em 2022 para 71,7% em 2023, enquanto as capitais ampliaram sua fatia de 27,5% para 28,3%. O ano de 2022 havia registrado o menor nível histórico de concentração econômica nas capitais.

Segundo o analista de Contas Regionais do IBGE, Luiz Antonio de Sá, o resultado está diretamente ligado a fatores conjunturais. “O ganho de participação das capitais está atrelado às perdas de municípios não capitais, sobretudo os vinculados à extração de petróleo. Esse comportamento desacelerou o processo de desconcentração econômica”, explicou.

O especialista também destacou que, após o pico da desconcentração em 2022, impulsionado pela pandemia, houve uma recomposição em 2023. “Com a retomada das atividades presenciais e o fim do isolamento social, houve uma recuperação da participação das capitais, muito em função da retomada do setor de serviços”, afirmou.

O bom desempenho dos serviços, especialmente das atividades financeiras, foi determinante para o crescimento das grandes cidades. São Paulo liderou os ganhos nacionais, com aumento de 0,4 p.p., alcançando 9,7% do PIB brasileiro. Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro também avançaram.

Nesse cenário, Salvador e Vitória da Conquista acompanharam a tendência de fortalecimento das grandes e médias concentrações urbanas, consolidando-se como vetores do crescimento econômico da Bahia. O avanço das duas cidades reforça o peso do setor de serviços, do comércio e da administração pública na economia estadual, em contraste com a retração observada em regiões dependentes de commodities.

O levantamento do IBGE analisou os dados de 5.570 municípios, com informações sobre PIB a preços de mercado e PIB per capita. A divulgação detalhada por atividades econômicas está temporariamente suspensa e será retomada em 2027, após a publicação da nova série do Sistema de Contas Nacionais, com ano-base 2021.

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