“ÁGUA SÓ EM 2049”: Projeto do PT contra a seca em Irecê só deve beneficiar povo daqui a 23 anos

O anúncio do Governo da Bahia sobre a ampliação do Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA) no território de Irecê, apresentado como uma das principais obras estruturantes para a convivência com a seca no semiárido, voltou a gerar desconfiança entre lideranças locais e moradores da região. O motivo é simples: apesar do investimento estimado em R$ 443,2 milhões e do discurso oficial sobre segurança hídrica, o projeto tem previsão de conclusão apenas para 2049 — ou seja, daqui a 23 anos.

Na prática, para quem enfrenta diariamente os efeitos da estiagem, a promessa soa distante demais e reforça a percepção de que se trata de mais um anúncio sem impacto imediato. Nos bastidores, muitos já classificam a iniciativa como “lorota”, diante da urgência vivida por agricultores, irrigantes e comunidades que precisam de água agora, não em um futuro tão distante.

O projeto, selecionado em dezembro de 2025 dentro do Novo PAC, prevê a implantação de novas adutoras paralelas às existentes, ampliação da Estação de Tratamento de Água para capacidade de mil litros por segundo e melhorias na estrutura de tratamento. A estimativa do governo é beneficiar cerca de 420 mil pessoas em 16 municípios e localidades rurais ao final da execução.

O problema é que, apesar da grandiosidade técnica, o prazo dilatado tira o impacto político e social da proposta no curto e médio prazo. Em uma região historicamente castigada pela seca, o que a população cobra são soluções emergenciais e estruturantes que possam ser sentidas nesta década, não apenas nas próximas gerações.

O governador Jerônimo Rodrigues e a secretária estadual de Infraestrutura Hídrica e Saneamento, Larissa Moraes, afirmam nos bastidores que as ações levam água, dignidade e qualidade de vida às regiões mais impactadas. No entanto, no território de Irecê, o sentimento predominante é de cansaço com anúncios de grande porte que demoram décadas para sair do papel ou para gerar resultados concretos.

O SIAA tem captação principal no Rio São Francisco e integra também a barragem de Mirorós, com cerca de 900 quilômetros de adutoras já implantadas desde 2010. O sistema é considerado um dos maiores do país e vem recebendo investimentos contínuos ao longo dos anos. Ainda assim, o cenário de escassez hídrica persiste, o que aumenta o ceticismo em relação a novas promessas.

Para muitos moradores, a conta é simples: se a solução definitiva só deve chegar em 2049, a realidade da seca continuará sendo enfrentada com medidas paliativas. É justamente essa distância entre anúncio e resultado que alimenta a descrença e fortalece a crítica de que o projeto, apesar de robusto no papel, não resolve a urgência de quem precisa de água hoje.

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