A pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje reforça o que boa parte dos políticos enxerga todos os dias nos quatro cantos da Bahia e o que aliados de ACM Neto já vêm sinalizando em sites e redes sociais: há um desejo de mudança latente no estado.
Na análise do cenário, o ponto central não é a intenção de voto, embora ela também seja relevante e mostre o candidato da oposição à frente do governador Jerônimo Rodrigues, com 41% contra 37%.
Na minha ótica o dado mais importante é a mudança de humor do eleitor baiano. A pesquisa traz uma pergunta-chave: o eleitor quer mudança ou continuidade no governo do estado?
Quando questionados sobre o que o próximo governador deve fazer: 22% defendem continuar o trabalho atual; 40% querem mudar apenas o que não está funcionando; e 34% defendem mudança total.
A leitura política é simples: o grupo que defende “mudança total” representa um voto mais consolidado da oposição, enquanto o percentual que prefere “continuar” reflete a base mais fiel do governo. Já os 40% que defendem ajustes pontuais formam o campo decisivo, que é um eleitorado que pode migrar para qualquer lado.
Outro ponto relevante é o peso político nacional. O levantamento indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tem o mesmo grau de influência de outros momentos.
Quando perguntados sobre o perfil do próximo governador: 47% preferem um aliado de Lula, 32% optam por um nome independente e 16% escolhem um aliado de Bolsonaro.
Além disso, a pesquisa aprofunda o recorte ideológico do eleitorado. Ao serem questionados sobre posicionamento político: Lulistas e esquerda não lulistas somam 42%. Já os independentes, direita e bolsonaristas chegam a 52%
Portanto, o cenário que emerge é distinto de 2022. Se naquele momento a maioria do eleitorado apontava para continuidade, hoje o sentimento predominante é de mudança. O contraste também aparece na avaliação de governo: enquanto Rui Costa chegou a superar 70% de aprovação, o atual governador Jerônimo Rodrigues enfrenta maior desgaste. Eram 63% de aprovação emJulho de 2024 e agora são 56%.
Outro dado relevante é o nível de rejeição: 42% dos entrevistados afirmam que conhecem Jerônimo, mas não votariam nele, um índice elevado para quem ocupa o cargo e dispõe da estrutura administrativa e de comunicação do Estado.
Com a campanha ainda em estágio inicial, o quadro tende a evoluir. Até aqui, a exposição maior tem sido do governo. O cenário pode piorar ainda mais para os governistas com o início efetivo da disputa, quando os dois candidatos terão condições mais equilibradas de tempo de propaganda e presença pelo interior.
A pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre os dias 23 e 27 de abril de 2026, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BA-03657/2026.

