PM NO LIMITE: Ações desastrosas expõem falência da política de confronto de Jerônimo

Os policiais da 31ª CIPM estão há mais de um mês enfrentando diariamente o crime organizado em Valéria. São operações constantes, apreensões de armas, drogas e confrontos sucessivos. Estão errados em combater o crime? Óbvio que não.

Mas a pergunta é outra: o governo de Jerônimo Rodrigues realmente quer resolver o problema da violência? Se quer, por que não prioriza educação, cultura, lazer, geração de emprego e presença social nas comunidades de Salvador e do interior? A prioridade continua sendo apenas obra de cimento.

Na operação desta sexta-feira (08/05), os policiais passaram por dois confrontos seguidos. No meio do caos, tentando salvar um colega baleado, reagiram aos criminosos armados. E veio mais uma tragédia: um inocente morto, mais uma família destruída, mais uma mãe chorando às vésperas do Dia das Mães.

No fim, armas e drogas apreendidas que não compensam uma vida perdida. Poderia ter sido diferente? Poderia. O BOPE poderia ter sido acionado? A inteligência das polícias Civil e Militar poderia ter atuado de forma mais cirúrgica? São perguntas inevitáveis.

E aí surge outra questão: essa conta fica na responsabilidade dos policiais que estão diariamente trocando tiros com criminosos fortemente armados? Ou do governador, que é o comandante em chefe da PM e responsável direto pela política de segurança pública implantada no estado?

Também não adianta associações como ASPRA e APPM ficarem incomodadas com críticas ao modelo atual. São entidades sérias e importantes na defesa dos policiais contra abusos. Mas, quando não questionam uma política baseada quase exclusivamente no confronto, acabam silenciando diante do desgaste físico, emocional e jurídico da tropa.

Nenhum policial sai de casa querendo trocar tiros. Mas isso virou rotina. Os mais novos, muitas vezes no calor da emoção, acabam entrando em situações extremamente perigosas. Talvez esteja faltando mais experiência operacional, mais orientação e menos impulso.

Semana retrasada foi no Engenho Velho da Federação. Agora foi em Valéria. Qual será a próxima operação desastrosa? O policial não é super-herói. E talvez tenha chegado a hora de o comando entender isso antes que novas tragédias aconteçam.

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