Executivo subornou dirigentes da CBF e diz que Globo pagou propina

Direitos de transmissão A Torneos y Competencias (TyC) é uma empresa argentina fundada em 1982 que sempre teve posição de destaque no mercado sul-americano de direitos. Burzaco era o principal executivo da empresa quando o FBI prendeu vários dirigentes da Federação Internacional de Futebol (FIFA) em Zurique, em 27 de maio de 2015. Depois, a TyC criou, junto com a Traffic, a empresa T&T, responsável por negociar os direitos da Libertadores e Sul-Americana. Burzaco, que estava em Zurique, escapou por pouco da prisão – acabou demitido da TyC poucos dias depois. No dia 10 de junho de 2015 ele se entregou às autoridades americanas. Na véspera do depoimento de Burzaco, os três advogados de defesa (de Marin, Napout e Burga) fizeram críticas ao fato de o governo dos Estados Unidos ter feito acordos “benéficos” a pessoas que confessaram ter cometido crimes. A segunda parte do depoimento de Alejando Burzaco trouxe novas informações sobre as acusações a dirigentes brasileiros – e a citação a um ex-executivo da TV Globo Marcelo Campos Pinto, que até 2015 era o responsável pela negociação de direitos da emissora. O argentino detalhou como se deu a transição do pagamento de propina depois que Ricardo Teixeira renunciou à Presidência da CBF em 2012. Segundo o depoente, Teixeira o teria orientado a repassar o que recebia para José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. O acerto, segundo Burzaco, foi na presença de Campos Pinto. Algum tempo depois, Marin e Del Nero teriam pedido “aumento” na cota de propina. Outro lado O presidente da CBF emitiu nota rebatendo as declarações de Burzaco. Del Nero também disse que jamais foi membro do comitê executivo da Conmebol – a página da Fifa, porém, diz que ele fez parte do Comitê Executivo da entidade sul-americana, assim como há registro no próprio site da CBF. A TV Globo também negou participação em subornos e pagamento de propina. Em nota, a emissora destacou que “o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que, após mais de dois anos de investigação, não é parte nos processos que correm na justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos.” No texto, o grupo também diz ter sido surpreendido com o relato envolvendo o ex-diretor Marcelo Campos Pinto. “O Grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas”, ressalta. “O Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Os nossos princípios editoriais nem permitiriam que seja diferente. Mas o Grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige”, encerra a nota. Os ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira e José Maria Marin, não se manifestaram. O GloboEsporte.com afirma não ter conseguido contato com Marcelo Campos Pinto.]]>