A Ponte Salvador-Itaparica deixou de ser o trampolim para a reeleição de Jerônimo Rodrigues. Hoje, virou a beira do abismo.
E, pelo visto, o VLT também não vai contribuir eleitoralmente. Aliás, o VLT parece que vai mesmo é levar toco. O pouco que o governo ganha em dividendos políticos perde diante dos atrasos, dos transtornos e do desgaste acumulado ao longo dos anos.
A pergunta é inevitável: como o PT vai sair da armadilha que ele mesmo montou?
O governo dobrou a aposta. Não havia necessidade de forçar a barra. Pior: arrastou o presidente Lula para um escândalo que deveria ser apenas local. Se Lula não conseguir a reeleição em 2026, não será exagero dizer que o PT da Bahia terá grande responsabilidade. Vale lembrar que foi o próprio presidente quem articulou com os chineses para tentar viabilizar o projeto.
O PT acreditou que o povo não iria contestar. Arrogância.
A ponte virou motivo de piada, de resenha, de ironia. As pessoas já se referem ao empreendimento em tom jocoso.
Durante anos, a oposição criticou o projeto, mas nunca teve uma imagem capaz de sintetizar esse discurso. Agora, faltando poucos meses para a eleição, foi o próprio PT quem produziu essa imagem. E é importante deixar isso muito claro: foi o próprio PT quem produziu essa imagem. Dobrou a aposta e ficou com a carteira vazia.
E não é só isso.
O que se viu foi uma verdadeira tentativa de estelionato eleitoral. Um ato político montado para transmitir a sensação de que a obra finalmente havia começado, quando, na prática, o que existe ainda é uma fase preparatória.
Enquanto isso, a conta não para de crescer. Já foram gastos quase R$ 1 bilhão apenas com projetos, estudos e etapas preliminares. A ponte está orçada em R$ 11 bilhões e promete ligar Salvador à Ilha de Itaparica por meio de uma estrutura de 12,4 quilômetros.
No fim das contas, o governo conseguiu transformar o que deveria ser seu maior ativo político no maior símbolo do desgaste da gestão.
Parabéns aos envolvidos.

