O senador reeleito pela Bahia Jaques Wagner (PT) declarou nesta quinta-feira (08/20), durante entrevista à Jornal BandNews, que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro seria “um desastre para a Bahia”.
A declaração, porém, pode ser interpretada também sob outro aspecto do cenário eleitoral. Na matemática do segundo turno, a Bahia não parece ser o estado capaz de definir sozinha uma eventual virada na disputa presidencial. A diferença nacional no primeiro turno entre Flávio e Lula foram mais de 2,2 milhões de votos. Flavio, que teve 56.104.503, convenceu 47,03% dos brasileiros. Já Lula, com 53.879.538 dos eleitores, alcançou 45,16%.
O baiano que já votou em Flávio no estado dificilmente mudará de posição apenas por causa das críticas feitas pelo PT. O ponto central, portanto, está na capacidade de transferência dos votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno.
Na Bahia, Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Romeu Zema e Renan Santos somaram pouco mais de 400 mil votos no primeiro turno. Se Flávio conseguir atrair cerca de 70% desse eleitorado e isso é uma tendência, seriam mais de 300 mil novos votos para o senador.
Esse movimento, somado aos votos que Flávio já recebeu, poderia elevar sua participação no estado de cerca de 28% para algo próximo de 32%, dependendo da transferência efetiva dos votos e da participação dos eleitores. Então, Flávio, que teve 2,4 milhões em 4 de outubro, deverá ter no segundo turno na Bahia cerca de 2,7 milhões de votos.
As mobilizações e críticas do PT na Bahia podem ter efeito político? Sim. Porém, não deverão ser suficientes, isoladamente, para alterar o resultado nacional. O peso maior da disputa está em outros estados, especialmente na região Sudeste.
É em São Paulo que está uma das maiores possibilidades de crescimento de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A conta parte da diferença entre as votações dos aliados Tarcísio de Freitas (governador reeleito com 62%) e Flávio (51% em SP) no primeiro turno. Tarcísio teve 14,4 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 12,9 milhões.
A diferença é de cerca de 1,5 milhão de votos.
Além disso, os candidatos que não avançaram ao segundo turno somaram mais de 2,3 milhões de votos em São Paulo. Se aproximadamente 70% desse eleitorado migrar para Flávio, o potencial de crescimento chegaria justamente à casa de 1,5 milhão de votos.
É uma conta matemática e, portanto, objetiva. Mas eleição não é feita apenas de matemática. A disputa também passa pela comunicação
Há ainda outro componente: o comportamento do eleitor, a comunicação política, a mobilização das campanhas e a capacidade de cada candidatura de convencer os eleitores.
Nesse campo, o PT aposta na rejeição ao bolsonarismo, em informações falsas e na estratégia de apresentar uma eventual vitória de Flávio como uma ameaça. Porém, esquece que o bolsonarismo conta com pós-doutorado nesse campo e tem ao seu favor o enfrentamento a um projeto cansado, que não deu certo nos últimos quatro anos. E para completar avançou nas articulações políticas, atraindo a maioria dos governadores eleitos, além de figuras do Centro que antes não lhe apoiava abertamente, a exemplo do baiano ACM Neto.
Portanto, nesse aspecto, São Paulo e o restante do Sudeste possuem um peso muito maior na matemática nacional do que a Bahia.





