Transporte, segurança e saúde são os temas mais debatidos na Câmara Itinerante de Pau da Lima

Mais uma edição do Câmara Itinerante reuniu populares para discutir pontos importantes relacionados à cidade, na tarde desta segunda-feira (14). Após passar por seis bairros de Salvador desde o início de 2017, o projeto levou ao auditório do Instituto Anísio Teixeira (IAT), em São Marcos, debates sobre questões prioritárias para moradores da região.

A atividade legislativa contou com a presença de moradores de Pau da Lima, Porto Seco Pirajá, Jardim Cajazeiras, Vila Canária, Sete de Abril, São Marcos, Jardim Nova Esperança, Novo Marotinho, Canabrava, São Rafael, Vale dos Lagos, Nova Brasília e Trobogy.

A atividade itinerante representou a 32ª sessão ordinária deste ano. O presidente da Câmara, vereador Leo Prates (DEM), destacou que na próxima sessão o Legislativo soteropolitano ultrapassará o número de atividades plenárias de 2016. “Muito feliz com a realização de mais uma edição deste projeto, que aproxima este Legislativo dos cidadãos de Salvador. Satisfeito, também, por alcançarmos esse significativo marco, que é de superar o número de sessões de todo 2016, que também foi ano eleitoral”, comemorou.

Ao explicar a importância do Câmara Itinerante, a coordenadora do projeto, vereadora Aladilce Souza (PCdoB), ressaltou a força do povo da região de Pau da Lima. “A nossa ideia é chegar mais perto da população para que os cidadãos consigam ver seus vereadores. O que foi falado aqui prometemos levar adiante, procurar as secretarias competentes e dar um retorno. Essa região, que tem uma tradição de luta muito grande, sediou um grande debate”, elogiou.

Debate acalorado

Dez lideranças comunitárias tiveram voz durante a sessão itinerante. Representantes divergiram sobre as condições dos serviços de saúde dos bairros de toda a região. Enquanto alguns enxergam avanços, outros abraçam a teoria do mais absoluto caos.  O líder comunitário de Canabrava, Alexsandro Marinho, criticou a redução das linhas de ônibus devido ao metrô. “Você pega o metrô para a Paralela, demora só 25 minutos. Beleza! Mas quando chega na Paralela para subir a ladeira para Canabrava, eu demoro 40 minutos. Alguém tem que dizer qual o problema aí porque está demais”, criticou.

Em conversa com o Informe Baiano, o morador Ivan Soares fez o mesmo questionamento. “Aqui na Estrada das Muriçocas, a gente tinha umas quatro linhas que passavam. Hoje só tem uma e o amarelinho, conhecido aqui como Velozes e Furiosos, porque ou anda a 10 km/h ou anda a mais de 100 km/h. É um perigo! Aí pra chegar lá na Estação do Metrô são 30 minutos de paleta. Ninguém aguenta isso, não. Tá errado. Quer dizer que eu sou obrigado a pegar o metrô?”, questionou.

Vice-presidente do Conselho Regional de Saúde, Deivison Araújo, conhecido como Gêmeos de Canabrava, apesar de reconhecer que há muito o que melhorar, preferiu elogiar as ações do Poder Executivo. “Avançamos muito nos últimos oito anos. A gestão do prefeito ACM Neto tem desenvolvido um excelente trabalho. Saúde é um problema crônico, grande parte por causa do governo federal. É só olhar o número de postos de saúde que foram inaugurados na região pela prefeitura”, argumentou.

Opinião bem diferente tem Roque Santos, presidente da Associação dos Palestrantes Comunitários do Estado da Bahia. “Quem diz que a saúde está boa na nossa região, com todo respeito, está faltando com a verdade. Está tudo precário, não tem médicos, uma condição caótica. A gente, para ter uma consulta, precisa dormir na fila. Temos que melhorar muito em todos os aspectos para alguém poder dizer que estamos sendo atendidos com dignidade”, criticou.

Algumas pessoas também reclamaram do número de assaltos e da forte atuação nos bairros da região de Pau da Lima da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), que vem aliciando crianças e adolescentes para o tráfico de drogas.