Coronel Nunes se recusa a colocar pulseira e é barrado em evento da CBF

O presidente da CBF, Antonio Carlos Nunes de Lima, o coronel Nunes, 81, causou mal-estar antes do sorteio dos grupos para a Copa do Nordeste de 2019, realizado nesta quinta-feira (4), em Maceió. Ele chegou no evento 15 minutos antes do início e se recusou a colocar pulseira que dava acesso ao local. Todos os outros convidados puseram o adereço no pulso.

“Eu sou o presidente da CBF. O presidente da CBF não precisa de pulseira”, disse, sem dar atenção à explicação de que era praxe da cerimônia. Em seguida caminhou em direção à porta de entrada, mas foi barrado por um segurança. “Sem pulseira, o senhor não entra”, afirmou o funcionário.

O impasse durou alguns minutos e o coronel Nunes permaneceu irredutível. Não colocaria nada. Chamados, os organizadores da Copa do Nordeste liberaram a entrada do dirigente. Sem pulseira.

Caminhando com ajuda de bengala e com uma pessoa sempre o segurando pelo cotovelo para evitar que caísse, o presidente que fica no cargo até 2019, quando será substituído por Rogério Caboclo, não quis dar entrevistas. “O Walter [Feldman] vai falar”, se limitou a dizer, se referindo ao secretário da CBF.

Durante a Copa do Mundo na Rússia neste ano, Nunes votou no Marrocos como sede para a Copa do Mundo de 2026. As confederações da América do Sul haviam concordado escolher, em bloco, a candidatura conjunta de Canadá, Estados Unidos e México, que acabou vencedora.

Quando a Fifa divulgou os votos, a decisão unilateral do coronel causou revolta. Claudio Tapia, presidente da AFA (Associação do Futebol Argentino), o chamou de traidor. Nunes disse ter se equivocado na hora de votar, mas a explicação não convenceu os demais dirigentes.

Com as polêmicas envolvendo os times brasileiros na Libertadores, Feldman foi a público para dizer que a Conmebol (Confederação Sul-Americana) não estava se vingando dos clubes nacionais por causa do presidente da CBF. “A relação com a Conmebol é muito boa. A CBF defende os interesses dos seus afiliados”, afirmou o secretário.

Cumprimentado por quase todos os dirigentes de clubes e federações que estavam no auditório em Maceió, Nunes ouviu muito mais do que falou. Não deu grande atenção à queixa das equipes de que era necessário haver mais dinheiro em jogo na Copa do Nordeste. Sentou-se na primeira fileira e foi saudado pelos cartolas que subiram ao palco.

Assim que acabou o sorteio, saiu do local amparado por duas pessoas. Nem recolheu o seu boneco do Zé Cabrito, mascote da Copa do Nordeste, distribuído aos convidados. Com a mesma pouca vontade de falar que chegou, o coronel Nunes foi embora. E sem pulseira.

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