Caso Daniel: acusado pode estar envolvido em organização criminosa

Edison Brittes, assassino confesso da morte do ex-jogador do São Paulo Daniel Corrêa, pode fazer parte de uma rede criminosa. Enquanto a polícia apura o assassinato da vítima, encontrada morta com sinais de tortura dia 27 de outubro, em São José dos Pinhais, no Paraná, outro inquérito será aberto para investigar os bens de Edison Brittes.

“A Promotoria de Justiça, por dever de ofício, requisitou a instauração policial específica, que nada tem a ver com o homicídio, para apurar eventual atuação dele em organização criminosa”, afirmou o promotor de Justiça João Milton Salles, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo.

De acordo com a reportagem, um dos fatos que levantaram suspeita é que, no dia do assassinato, o suspeito usava o chip de um homem executado em 2016. “Esse rapaz tinha como atividade principal a receptação e adulteração de veículos roubados”, disse Salles.

Brittes já responde a dois processos por receptação de veículos roubados. Ele também já foi preso duas vezes por porte ilegal de armas. A última detenção ocorreu em junho deste ano. Conforme informações contidas no boletim de ocorrência, em depoimento, dentro da delegacia, Juninho Riqueza, como é conhecido pelos amigos, disse que, além de ser amigos de policiais, ia entrar em contato com o deputado estadual, Rubens Recalcalti.

O parlamentar, que aparece em um vídeo desejando parabéns à esposa de Brittes, Cristiana, é delegado aposentado e réu por assassinato cometido em 2015. “Esse processo é de uma abordagem policial, que adveio a morte do indivíduo que atirou contra a equipe policial”, justificou Claudio Dalledone, advogado de Rubens e Edison, acrescentando que o deputado não é amigo da família. “Era um compromisso político”.

Nas imagens, sentado junto ao delegado, também está o policial civil Edenir Canton, que está afastado das funções desde julho passado e é acusado de assassinato junto com Recalcalti. Ele também ainda responder por participar de organização criminosa e extorsão mediante sequestro.

As novas investigações da polícia vão apurar se o policial era mesmo o dono do carro que Brittes usou para transportar o corpo do jogador Daniel. Brittes também usava uma moto, que está em nome de um traficante preso e já foi apreendida. “Ele não tem envolvimento com o traficante ou o narcotráfico”, concluiu Dalledone.