“Mãe Stella fez os rituais antes de morrer e será entrerrada hoje”, revela morador de Nazaré das Farinhas

O corpo de Mãe Stella de Oxóssi, considerada uma das referências do candomblé no país, vai ser enterrado nesta sexta-feira (28/12), no Cemitério Nosso Senhor dos Aflitos, em Nazaré das Farinhas, cidade que a ialorixá vivia desde 2017. Ela morreu na tarde de ontem, no Hospital Incar, em Santo Antônio de Jesus, devido a sepse urinária, insuficiência renal crônica e hipertensão arterial sistêmica. A religiosa estava internada desde o início do mês na unidade médica.

Em nota, o Ilê Axé Opô Afonjá, terreiro que Mãe Stella comandava, manifestou o “desejo de fazer cumprir o tradicional ritual de sepultamento de uma iyalorixá aqui na casa que nossa mãe conduziu durante todos esses anos”.

Filhos de Santo questionam a decisão da tutora legal e companheira da ialorixá, Graziela Domini, de enterrar Mãe Stella em Nazaré das Farinhas sem realizar a primeira fase do Axexê, o ritual fúnebre do candomblé.

“O corpo da maior mãe de santo do Brasil, Stella de Oxóssi, precisa sair de Nazaré das Farinhas, como manda a lei do santo, antiga e milenar, para serem cumpridos os rituais fúnebres nas dependências do Ilê Axé Opô Afonjá, reinado da venerável senhora por ordem de Xangô. A postura de Graziela Domini, violenta e raivosa, impedindo a liberação do corpo para ser cuidado pelos filhos de santo de Odé Kayodê, como manda a tradição, é crime, não é amor, é impiedade e desaforo com toda Salvador. As autoridades baianas vão cruzar os braços, como costumam fazer, quando o povo é humilhado?”, questionou nas redes sociais o Ogã Aladeí do Ilê Axé Opô Afonjá, Fernando Coelho.

Em conversa com o Informe Baiano, um morador da cidade e amigo de Mãe Stella, revelou que a sacerdotisa “já estava se preparando para a passagem e fez o ritual dela” antes de morrer.

“Ela não quer que faça dessa maneira que querem. Ela já fez os rituais perante diversas testemunhas”, disse a fonte.

Nascida em 2 de maio de 1925, em Salvador, Maria Stella de Azevedo Santos, Mãe Stella de Oxóssi, Odé Kayode, era a quinta ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais tradicionais da Bahia. Foi levada a um terreiro e conheceu o candomblé por meio de uma tia quando era adolescente. Trabalhou como enfermeira ajudando principalmente os mais pobres. Escreveu vários livros, entre eles Meu tempo é agora, Òsósi – O Caçador de Alegrias, Epé Laiyé- terra viva e Ófun, sendo uma das primeiras mulheres a escrever sobre candomblé no país.

Defensora da cultura negra, foi agraciada com diversos títulos, como o de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (2005) e da Universidade do Estado da Bahia (2009). Em 2013, foi eleita para a Academia de Letras da Bahia, onde tomou posse da cadeira número 33 – já havia sido ocupada pelos escritores Castro Alves e Ubiratan Castro de Araújo.

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