“Indústria não pode ser acusada de coisas que não faz”, diz presidente da AIPC sobre importação de cacau africano

Presidente da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), Anna Paula Losi reagiu às críticas endereçadas ao setor industrial sobre a polêmica importação de amêndoas de cacau africano para a Bahia.

A chegada da carga tem sido contestada por produtores baianos por não ter mais a proteção fitossanitária exigida anteriormente. Eles pedem a derrubada da Instrução Normativa (IN125) editada pela antiga gestão do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), que passou a permitir a entrada no Brasil de amêndoas vindas da Costa do Marfim sem a aplicação de Brometo de Metila, substância que combate pragas quarentenárias.

“A indústria está aqui para cumprir a lei. A gente não tem nenhum problema em relação às normas estabelecidas. O que não pode acontecer é fazer, tentar mudar uma norma sem ter um fato novo, e esse fato novo não existe. Como o próprio representante do Ministério da Agricultura trouxe, as cargas têm chegado, as análises têm acontecido e nenhuma praga tem sido identificada. Então, poderia ser identificado algo e aí justificaria uma revisão, mas não houve isso”, explicou Anna Paula Losi.

A representante da AIPC participou nesta terça-feira (21) da audiência pública na Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) que reuniu representantes dos produtores de cacau, do MAPA e da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), além de deputados estaduais ligados à cultura do cacau.

“Indústria não pode ser acusada de coisas que não faz”, diz presidente da AIPC sobre importação de cacau africano

Também presente no encontro, a diretora da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanusa Barroso, chegou a dizer que a indústria trata a demanda colocada pelos produtores com “chacota”.

“Nós estamos cansados, revoltados e chateados por estar aqui hoje, pois esse tema já deveria ter sido superado. É um tema que é óbvio. Basta ler o relatório dos próprios técnicos do Ministério da Agricultura. A ‘indústria’ está nos fazendo de chacota. Estamos sendo engolidos pela indústria. Se o governo não quer nos ajudar, também não nos atrapalhe”, disse Vanusa.

Anna Losi, por sua vez, ponderou que as normas são estabelecidas pelo quadro de técnicos especialistas do Ministério da Agricultura.

“Eu entendo que essa é uma mediação do ministério porque são medidas que foram estabelecidas pelo ministério e eu confio no ministério. Como o próprio representante da Adab disse, o ministério é composto por profissionais altamente técnicos, com conhecimento que nós da indústria não temos, que os produtores também não têm. Isso faz parte de estudo, de análises. Eu acho que se tiver alguma questão e se for mostrado para o MAPA que existem pontos que precisam ser melhorados, com certeza o MAPA vai melhorar e com certeza a indústria vai seguir”.

A presidente da AIPC projetou ainda eventuais impactos que podem ocorrer em caso de alteração nas normas sobre a importação das amêndoas.

“A indústria hoje não tem cacau suficiente no Brasil para atender a sua demanda. A gente precisa de cacau. O que pode acontecer é a indústria ter que parar uma unidade fabril e aí a gente perder empregos, perder arrecadação de impostos, reduzir a capacidade instalada, e isso vai ter um impacto em toda a cadeia”.

Porque se a indústria reduz o tamanho, a gente vai importar mais derivado, porque a gente não vai deixar de consumir chocolate, aí o produto interno vai ficar mais caro, o consumidor vai pagar mais pelo seu chocolate.

Segundo ela, o segmento industrial já trabalha no sentido de “aumentar a produtividade do produtor para que a gente volte a ser autossuficiente”.

“A gente confia que isso vai acontecer. A gente tem trabalhado para isso, a indústria tem colocado dinheiro para que isso aconteça e a gente trabalha de forma colaborativa. O que a gente não pode aceitar é ser acusado de coisas que a gente não faz”, completou.

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