Produtores rurais acumulam prejuízos milionários por causa das péssimas condições das estradas

A produção de grãos no Brasil passou de 187 milhões de toneladas na safra 2012/2013 para uma previsão de 310 milhões de toneladas de grãos este ano. A grande maioria dos produtos, cerca de 85% dos grãos do país, é transportada por rodovias.

A Confederação Nacional do Transporte (CNT), 66% das estradas brasileiras estão em condições regular, ruim ou péssima. Existem vários trechos de pistas simples, buracos e falta de sinalização. A pesquisa mostra ainda que essas deficiências causaram, no ano anterior, um custo milionário e desnecessário para quem transporta cargas. Na Bahia, inúmeras vias em todos os territórios de identidade sofrem com as estradas ruins. O Informe Baiano flagrou casos de falta de manutenção e consequentemente buraqueira nas regiões da Chapada Diamantina (trecho de Lençóis), Portal do Sertão (trecho de Amélia Rodrigues) e Costa do Descobrimento (trechos de Porto Seguro, Itamaraju e Teixeira de Freitas).

“Foram gastos de forma desnecessária. Cinquenta e cinco milhões de litros de diesel no estado, e esses 55 milhões de litros de diesel custaram aos transportadores no Mato Grosso mais de R$ 250 milhões. Primeiro porque existe uma necessidade maior de frenagem, de reacelerações, o motorista tem de diminuir a velocidade para não cair num buraco, e tudo isso faz com que o consumo se eleve”, ressalta Bruno Batista, diretor executivo da CNT.

Faltam também opções de modais pra escoar a produção. O Brasil é interligado por 30 mil quilômetros de ferrovias, apenas 12 mil em funcionamento. É o mesmo tamanho que o país tinha em 1930. Os Estados Unidos, principal concorrente do agro brasileiro, tem 250 mil quilômetros.

“O custo de transporte do meio-oeste americano até Xangai, na China, é na faixa de US$ 82. No Brasil, a melhor performance que nós tivemos foi US$ 120 dólares. Então temos aí uma diferença muito grande entre nós e os americanos. Embora o brasileiro seja mais competitivo da porteira para dentro, ele acaba perdendo parte desse ganho da porteira para fora”, destaca Edeon Vaz Ferreira, diretor-executivo da Pró-logística.

No estado que mais produz grãos no país, existem projetos para a expansão da malha ferroviária. A Ferronorte deve ligar o sul ao norte de Mato Grosso até 2030. A ferrovia Integração Centro-oeste pretende ligar oeste a leste do país, podendo chegar à Bahia, e a Ferrogrão, que pretende alcançar os portos do Pará.

Para a CNA é importante também integrar rodovias e ferrovias às hidrovias, para diminuir custos. Só um terço dos rios brasileiros que têm capacidade para transporte em grande escala são usados.

“Isso faz com que os custos, em especial dos alimentos, aumentam expressivamente. Então, é fundamental que se invista tanto nos nossos rios como nas linhas férreas, de maneira que os caminhões possam se integrar a esses modos de transportes e, assim, a gente consiga uma redução no custo de transporte. Essa redução, dados e estudos têm mostrado que ela pode chegar até 30%”, explica Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da CNA.

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