Na eleição de 2022, o governo petista vivia um momento de alta aprovação. Em média, mais de 75% de avaliação positiva. O então chefe do Executivo estadual, Rui Costa, desfrutava da imagem de gestor eficiente e o rompimento com o Partido Progressista (PP) ocorreu por motivos essencialmente políticos. Foi a falta de espaço para João Leão disputar o Senado que motivou a briga. Não houve, naquela ocasião, qualquer desgaste administrativo que justificasse uma debandada em massa.
Por isso, o número de adesões à oposição foi pequeno, restrito a alguns parlamentares, que não fizeram campanha, e poucos prefeitos. A maioria das lideranças municipais preferiu permanecer ao lado do governo.
O cenário atual, porém, é completamente diferente. As saídas de figuras como os deputados Cafu Barreto e Nelson Leal, além do ex-prefeito Isaac Carvalho, têm outra motivação: a baixa avaliação da gestão estadual. Essas lideranças deixam claro que não se sentem alinhadas a um governo marcado pela inação e por declarações que não repercutem nem mobilizam.
Ou seja, se em 2022 o rompimento do PP tinha origem política, agora as rupturas são fruto do desempenho considerado insatisfatório da administração estadual.
Os políticos sentem a pressão direta do cidadão. E há algo atípico no ar: é incomum que, faltando ainda um ano para a eleição, lideranças importantes abandonem o barco governista.
Vale lembrar que todas as pesquisas internas, seja do Governo ou da Oposição, apontam que a desaprovação de Jerônimo Rodrigues supera a aprovação. Essa rejeição crescente está empurrando aliados para longe do governo. E um novo anúncio, provavelmente de janeiro, quando ACM Neto deverá confirmar sua pré-candidatura ao governo, será nitroglicerina pura.




