A partir de 1º de janeiro de 2026, trabalhadores brasileiros terão um alívio no bolso com as mudanças no Imposto de Renda. A reforma, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplia a faixa de isenção, promete mais progressividade e tem forte peso político por funcionar como medida de redistribuição de renda.
Segundo a Confirp Contabilidade, quem ganha R$ 5 mil por mês terá economia de R$ 312,89 no imposto retido na fonte, o que representa R$ 4.067,57 ao ano, incluindo o 13º salário. Pela nova regra, haverá um desconto variável para zerar o IR de rendas até R$ 5 mil mensais, com redução gradual até R$ 7.350. Acima desse valor, não há benefício.
Estimates indicam que 10 milhões de contribuintes deixarão de pagar o imposto já em 2026, fazendo com que 65% dos declarantes fiquem isentos — o equivalente a 26 milhões de brasileiros. Considerando toda a população, 87% estarão livres do IRPF.
Tributação maior para altas rendas
O alívio para a base vem acompanhado de cobrança mais alta sobre os mais ricos. A reforma cria o Imposto de Renda Pessoa Física Mínimo (IRPFm), que incidirá sobre lucros e dividendos hoje isentos.
Pelas novas regras, lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física acima de R$ 50 mil por mês terão retenção na fonte de 10%. Lucros acumulados até 2025 permanecem isentos, desde que aprovados até o fim daquele ano.
Além disso, contribuintes com renda anual superior a R$ 1,2 milhão terão tributação mínima de até 10%, considerando rendimentos totais — inclusive aqueles hoje isentos ou tributados separadamente. Ficam fora dessa conta poupança, LCI, LCA, fundos imobiliários e lucros de anos anteriores a 2026.
Especialistas apontam impacto direto para empresários, sócios e investidores. Richard Domingos, diretor executivo da Confirp, afirma que a reforma altera significativamente a forma de tributar lucros distribuídos e alerta para a eliminação do fator que limitava a carga conjunta de IRPJ, CSLL e IRPFm. Segundo ele, isso pode elevar a tributação sobre lucros em até 10%.
Quem ganha e quem paga
• Trabalhadores de até R$ 5 mil: maiores beneficiados, com economia anual que pode chegar a um salário extra.
• Rendas entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil: ganhos menores, até zerar.
• Acima de R$ 7,35 mil: nenhuma redução.
• Empresários, investidores e sócios: passam a pagar mais com a nova tributação sobre dividendos.
Mesmo com desoneração estimada em mais de R$ 31 bilhões ao ano para as camadas de menor renda, o governo calcula que o IRPFm compensará a perda, resultando em saldo positivo de R$ 12 bilhões entre 2026 e 2028.





