O líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Tiago Correia, afirmou que o Governo do Estado perdeu o controle das finanças públicas e passou a depender excessivamente de empréstimos, situação que, segundo ele, coloca a gestão estadual “na mão do agiota”.
Em conversa com o Informe Baiano, o parlamentar criticou a sequência de pedidos de autorização para novos financiamentos enviados pelo Executivo à Assembleia. Para Tiago, o volume e a frequência dessas operações de crédito são um sinal claro de desequilíbrio fiscal. “O governo está na mão do agiota. São empréstimos sucessivos, em valores cada vez maiores, e nem o próprio governo imaginava que ia encaminhar tantos projetos desse tipo”, afirmou.
O deputado também questionou a transparência do orçamento estadual e disse que há uma diferença significativa entre os valores inicialmente previstos e o que, de fato, é arrecadado ao longo do ano. “A gente vê o orçamento sendo projetado em torno de R$ 75 bilhões, R$ 77 bilhões, e quando chega no final do ano já está em R$ 86 bilhões, R$ 90 bilhões. Sempre fico me perguntando o que está acontecendo”, disse.
Segundo Tiago Correia, essa prática não é aleatória. Ele explicou que o governo projeta uma arrecadação menor propositalmente para criar um superávit que possa ser utilizado sem vinculação prévia. “O orçamento do ano que vem é uma projeção. O governo projeta menos porque aquilo que vira superávit fica livre para gastar onde quiser. Isso é uma manobra fiscal”, declarou.
Tiago Correia também associou parte desses compromissos financeiros a obras anunciadas em períodos pré-eleitorais. “Muitas dessas obras com contas abertas foram anunciadas no período pré-eleitoral do então governador. Houve uma peregrinação pelo interior anunciando obras, e esse movimento já começa a se repetir”, disse.
Para o deputado, o cenário atual levanta preocupações sobre o uso político dos recursos públicos. “Existe um entendimento de que parte desses empréstimos pode estar sendo usada em obras eleitoreiras. O governo precisa dizer claramente para onde está indo esse dinheiro”, cobrou.
Ao final, Tiago destacou o montante sob gestão da Secretaria da Fazenda do Estado. “São cerca de R$ 27 bilhões na mão da Fazenda. O povo precisa entender exatamente o que está acontecendo com as finanças da Bahia”, concluiu.




