Justiça permite cultivo e produção de cannabis medicinal por associação na Chapada Diamantina

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) concedeu um habeas corpus preventivo para a Associação Chapada Diamantina de Pacientes e Estudos de Cannabis Medicinal (ACDC), garantindo proteção judicial aos pacientes e funcionários da entidade. Com a decisão, eles não poderão ser presos, investigados ou ter materiais apreendidos em razão do cultivo e da produção de cannabis destinada a fins medicinais.

A medida é considerada um marco para o avanço do uso terapêutico da cannabis no estado. Para o diretor de comunicação da associação, Tiago Sodré, a decisão demonstra uma visão mais atualizada do Judiciário sobre o tema.

“É um marco para a Bahia e mostra uma visão do judiciário estadual bem moderna e de acordo com os avanços da saúde no mundo”, afirmou.

O habeas corpus preventivo é uma decisão judicial utilizada para evitar que alguém tenha a liberdade restringida no futuro por determinada conduta analisada pelo juiz. No caso da ACDC, a medida assegura que pacientes com prescrição médica não possam ser presos por posse de cannabis destinada ao tratamento de saúde.

Justiça permite cultivo e produção de cannabis medicinal por associação na Chapada Diamantina
Foto: Tati Oliveira

Associação atende cerca de 500 pacientes

Localizada no município de Ibicoara, na região da Chapada Diamantina, a associação funciona há cerca de três anos e atualmente atende aproximadamente 500 pacientes.

A entidade produz óleo medicinal de cannabis utilizado no tratamento de doenças graves ou de difícil controle, como Parkinson, depressão recorrente e câncer.

Muitos pacientes já possuíam prescrição médica e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar produtos à base de cannabis. No entanto, segundo a associação, o custo elevado e a burocracia do processo de importação dificultavam o acesso ao tratamento.

Diante desse cenário, a ACDC buscou na Justiça a concessão do habeas corpus preventivo para garantir segurança jurídica aos pacientes e aos profissionais envolvidos no cultivo e na produção dos medicamentos.

Decisão autoriza produção e distribuição dos medicamentos

Com a decisão do TJ-BA, a associação passa a ter autorização judicial para realizar diversas atividades relacionadas à produção de medicamentos derivados da cannabis.

Entre as ações autorizadas estão:

  • cultivo e colheita da cannabis;
  • manipulação e preparo do óleo medicinal e outros derivados;
  • transporte de sementes, plantas e produtos;
  • envio dos medicamentos para os associados;
  • parcerias com universidades e centros de pesquisa para estudos sobre cannabis medicinal.

A decisão reforça o entendimento de que o uso da cannabis para fins terapêuticos pode ser realizado com respaldo judicial quando há prescrição médica e finalidade comprovadamente medicinal.

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