Dois em cada três brasileiros possuem algum tipo de dívida, segundo pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (18). O levantamento também revela um dado que chama atenção: 41% das pessoas que pegaram dinheiro emprestado com amigos ou familiares não devolveram os valores.
O estudo ouviu 2.002 pessoas em todas as regiões do país, entre os dias 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Os números indicam um cenário de endividamento generalizado e dificuldades crescentes para manter as contas em dia.
Entre os brasileiros endividados, 29% estão com parcelas do cartão de crédito em atraso, enquanto 26% não quitaram empréstimos feitos em bancos. Outros 25% acumulam pendências em carnês de lojas, mostrando que o problema atinge diferentes modalidades de crédito.
O crédito rotativo aparece como um dos principais fatores de pressão financeira. De acordo com a pesquisa, 27% dos entrevistados utilizam essa modalidade. Dentro desse grupo, 5% recorrem com frequência e 22% utilizam de forma ocasional. Esse tipo de crédito é acionado quando o consumidor paga apenas o valor mínimo da fatura do cartão, o que gera juros elevados sobre o saldo restante.
Além das dívidas com instituições financeiras, 28% dos brasileiros estão com contas básicas em atraso. Entre os principais débitos estão telefonia e internet (12%), tributos como IPTU e IPVA (12%), energia elétrica (11%) e água (9%).
A pesquisa também mostra que a pressão econômica afeta diretamente a rotina da população. Cerca de 45% dos brasileiros vivem sob forte aperto financeiro, sendo 27% em situação considerada apertada e 18% em condição severa. Outros 36% enfrentam uma realidade moderada, enquanto apenas 19% têm estabilidade ou restrições leves.
Para tentar equilibrar o orçamento, os brasileiros têm cortado gastos em diferentes áreas. O lazer foi o primeiro item sacrificado, com redução para 64% dos entrevistados. Em seguida aparecem a diminuição das refeições fora de casa (60%) e a troca de produtos por marcas mais baratas (60%).
O impacto chega ao consumo essencial. Mais da metade da população (52%) reduziu a compra de alimentos, enquanto 50% cortaram despesas com água, luz e gás. Além disso, 40% deixaram contas vencerem e 38% interromperam o pagamento de dívidas ou até a compra de medicamentos.
O cenário de dificuldade financeira também se reflete nas principais preocupações dos brasileiros. Ao serem questionados sobre o maior problema pessoal, 37% apontaram questões econômicas, como baixa renda, endividamento e o alto custo de vida.





