“CUIDADO COM O ENDIVIDAMENTO”: Economista Arminio Fraga fala em recessão e alerta brasileiros

O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga fez um duro alerta sobre a economia brasileira e afirmou em entrevista à Veja que o país pode entrar em recessão caso não haja um ajuste fiscal consistente. Considerado um dos economistas mais respeitados do Brasil, Fraga também atribuiu parte do cenário ao aumento da dívida pública durante o governo do presidente Lula (PT).

Segundo o economista, os mais de 80 milhões de brasileiros inadimplentes e as dificuldades enfrentadas por empresas para renegociar dívidas são sinais de que o mercado de crédito atravessa um momento delicado.

“O próprio governo encurta o perfil de sua dívida, o que é um sinal claríssimo de que a situação está difícil”, afirmou.

Fraga criticou a condução das contas públicas e questionou o discurso de que o país já pratica austeridade fiscal. “Dizem que já temos austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez a dívida pública crescer?”, declarou.

Questionado sobre a avaliação de que, sem um forte ajuste fiscal, o Brasil poderá enfrentar graves dificuldades em 2027, o economista afirmou que o cenário pode ser ainda pior. “Eu não diria que o país vai parar, mas pode ser até pior. Acho que podemos entrar em uma recessão. O mercado de crédito dá sinais preocupantes e, quando isso acontece, geralmente acaba mal.”

Para Arminio Fraga, o risco de recessão no próximo ano é provável. Diante desse cenário, ele orientou empresas e consumidores a evitarem novas dívidas.

“Tenho recomendado às empresas bastante cuidado com o endividamento. É preciso preservar o caixa. Em geral, eu começo dizendo para não tomarem dinheiro emprestado. O empréstimo será um paliativo, mas o custo é fatal.”

O economista também reconheceu que grande parte da população brasileira enfrenta dificuldades para organizar as finanças devido à baixa renda, mas reforçou que, para quem tem condições, a recomendação é evitar assumir novos compromissos financeiros diante das incertezas econômicas.

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