Nova pílula para colesterol alto reduz LDL em mais de 55% e pode substituir injeções

Uma nova opção para o tratamento do colesterol alto promete facilitar a vida de milhões de pacientes. A enlicitida, primeiro inibidor oral da proteína PCSK9, foi aprovada pela agência reguladora dos Estados Unidos e deve chegar ao Brasil nos próximos meses, ampliando as alternativas para quem precisa controlar o chamado colesterol ruim (LDL).

Desenvolvida pela farmacêutica MSD, a medicação representa um avanço por substituir as aplicações injetáveis quinzenais ou mensais por um comprimido de uso oral, o que pode aumentar a adesão ao tratamento.

A aprovação foi baseada em estudos clínicos que envolveram mais de 19 mil pacientes com colesterol elevado. Os participantes continuaram adotando mudanças no estilo de vida e utilizando estatinas, enquanto parte deles recebeu a nova medicação.

Os resultados mostraram que a enlicitida foi capaz de reduzir os níveis de LDL em mais de 55%, desempenho superior ao de outros medicamentos normalmente utilizados quando as estatinas não conseguem controlar o colesterol de forma adequada.

Outro destaque foi a baixa incidência de efeitos colaterais, fator considerado importante para que os pacientes mantenham o tratamento a longo prazo.

Segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto, um dos principais motivos para a interrupção do tratamento com estatinas são as dores musculares.

“Uma das reações adversas mais temidas pelos usuários de estatinas é a dor muscular, motivo frequente de abandono do remédio”, afirmou.

O colesterol alto é considerado uma doença silenciosa e está entre os principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Estima-se que cerca de um terço dos brasileiros conviva com o problema. A expectativa é que a chegada da nova medicação amplie o acesso a tratamentos mais eficazes e confortáveis para pacientes que não conseguem atingir as metas apenas com os medicamentos tradicionais.

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