A eleição para o governo da Bahia em 2022 deixou uma fotografia bastante particular da força eleitoral de Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União Brasil).
No segundo turno, Jerônimo foi eleito com 52,79% dos votos válidos, contra 47,21% de ACM Neto. Em números absolutos, foram 4.480.464 votos para o petista e 4.007.023 para o então candidato do União Brasil.
Mas a distribuição territorial dos votos mostra uma diferença ainda mais expressiva. Jerônimo venceu em 364 dos 417 municípios baianos, enquanto ACM Neto ganhou em 53 cidades.
Entre os municípios vencidos por Jerônimo, 16 registraram votação superior a 80%. O petista também passou de 70% em 110 municípios, de 65% em 175, de 60% em 248 e de 55% em 316 cidades.
Os números mostram que a força eleitoral de Jerônimo estava espalhada por praticamente todo o território baiano.
Do outro lado, ACM Neto conseguiu concentrar sua força em um número muito menor de municípios. Das 53 cidades em que venceu, 42 tiveram votação entre 50% e 59%, nove ficaram entre 60% e 69% e apenas duas registraram votação acima de 70%. Não houve município em que Neto tenha superado 80% dos votos válidos.
Os dois maiores desempenhos de Neto ficaram em Luís Eduardo Magalhães e Buerarema, onde ele ultrapassou a marca de 70%.
Em Salvador, principal reduto eleitoral do ex-prefeito, Neto obteve 64,51% dos votos válidos, contra 35,49% de Jerônimo.
Outro detalhe chama atenção: a maioria das vitórias de Neto foi apertada. Em Conde, por exemplo, a vantagem foi de apenas 0,06 ponto percentual; em Coité, 0,10; em Ourolândia, 0,13; e em Filadélfia, 0,45.
O resultado de 2022, portanto, mostra que Neto teve uma votação estadual competitiva, terminando apenas 5,58 pontos percentuais atrás de Jerônimo, mas sua vantagem municipal ficou concentrada em um número limitado de cidades.
E o que mudou? É nesse ponto que entra a fotografia política atual. Segundo apurações de bastidores do Informe Baiano, a estrutura de apoio ao grupo oposicionista é significativamente diferente. Centenas de ex-prefeitos, ex-candidatos, vereadores e lideranças que participaram das eleições municipais de 2024 passaram a apoiar o grupo formado por Neto, Zé Cocá, João Roma e Angelo Coronel.
Ainda conforme apuração do IB, o candidato oposicionista conta atualmente com palanques considerados competitivos em mais de 350 municípios, além de lideranças com diferentes níveis de força política nas demais cidades.
São, portanto, duas fotografias diferentes: a de 2022, determinada pelo voto efetivamente depositado nas urnas, e a de 2026, baseada na atual composição dos palanques e alianças municipais.
A diferença entre os dois mapas eleitorais revela uma das principais fragilidades da campanha de ACM Neto em 2022, que foi a ausência de uma estrutura municipal ampla e competitiva. Naquele pleito, ele teve apoio efetivo em menos de 100 municípios. O estudo feito pelo Informe Baiano deixa transparente que houve disputa mais equilibrada em apenas 84 cidades.
Nessa parcela do eleitorado municipal, as vitórias ficaram divididas entre os dois candidatos: Jerônimo venceu em 48 municípios, enquanto Neto levou a melhor em 36.

