Bamor vira alvo de nova investigação do MP-BA após operação por suspeita de tortura em Salvador

A sede da Bamor, torcida organizada do Bahia, voltou ao centro de uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Desta vez, o órgão abriu um Inquérito Civil para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao funcionamento do espaço, situado no bairro de Nazaré, em Salvador.

A nova apuração acontece poucos dias depois de uma operação que levou dez pessoas à prisão e teve como alvo integrantes da diretoria da torcida, em uma investigação sobre suspeitas de tortura contra membros da própria organizada.

O procedimento mais recente é conduzido pela 3ª Promotoria de Justiça do Consumidor de Salvador. Entre os pontos que serão analisados estão possíveis impactos causados pela movimentação na sede, como perturbação do sossego, desordem urbana e situações que possam representar riscos à segurança.

O MP-BA determinou que a direção da Bamor apresente esclarecimentos e defesa sobre os fatos investigados em até dez dias úteis.

Também deverão ser anexados ao processo documentos produzidos pela 2ª Companhia Independente da Polícia Militar (2ª CIPM), pela Vigilância Sanitária e por outros órgãos responsáveis por fiscalizações. Os relatórios serão utilizados para verificar as condições do local e os possíveis efeitos das atividades realizadas na sede.

A nova investigação ocorre após uma operação deflagrada na segunda-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-BA, com apoio da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e das polícias Civil e Militar.

A ação apura denúncias de que integrantes da própria Bamor teriam sido submetidos a sessões de violência física e psicológica dentro da sede da torcida, em julho deste ano.

Segundo as investigações, pelo menos duas pessoas teriam sido agredidas durante os episódios. As vítimas teriam sido pressionadas a confessar supostas irregularidades e, conforme a apuração, sofreram ameaças, agressões, sufocamento e afogamento.

Ainda de acordo com o MP-BA, os episódios teriam durado horas e envolvido objetos como taco de beisebol, martelo e faca. A investigação também apura possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.

A operação cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em Salvador e resultou na prisão de dez pessoas. Entre os detidos estão o presidente da Bamor, Matheus Castro, o vice-presidente, Luciano Venâncio, outros dirigentes da torcida e um policial militar.

As suspeitas investigadas pelas autoridades ainda são objeto de apuração.

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