Edifícios de Salvador retratam estilo arquitetônico de centenária escola alemã

O Instituto do Cacau da Bahia, no Comércio; o Instituto Central de Educação Isaías Alves Geral (Iceia), no Barbalho; o Hospital Santa Terezinha, no Pau Miúdo; e o Píer Salvador (antigo hidroporto), na Ribeira. Todos estes são edifícios situados em pontos distintos da capital baiana, mas que guardam em comum o estilo arquitetônico de uma das escolas de arte mais influentes do século passado e que completa 100 anos em 2019: a Bauhaus.

Criada por Walter Gropius em Weimar, na Alemanha, em 1919, a Escola de Bauhaus foi muito mais do que uma instituição originada da Europa. Ela se tornou conhecida como um movimento inovador na arquitetura e está viva e materializada até hoje no desenho de edificações erguidas em Salvador e ao redor do mundo. Mas, afinal, quais são as características de uma construção inspirada no estilo bauhausiano?

“As estruturas são muito simples, ortogonais como um bloco, além de tetos planos. Possuem eliminação de ornamentação e decoração e janelas contínuas, com horizontalidade marcada, além de marquises e varandas largas”, explica o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Nivaldo Andrade. Um dos patrimônios mundiais da Humanidade pela Unesco é a própria sede da Bauhaus, em Dessau, cidade cuja instituição foi transferida, em 1926.

“Nos idos da década de 1930, a arquitetura que se produzia aqui na Bahia era a eclética, que chamavam pejorativamente de ‘bolo de noiva’. Alguns exemplos são o Palacete das Artes, na Graça; o Palácio Rio Branco, na Praça Municipal; e o Palácio da Aclamação, em frente à Praça Castro Alves, que possuem muitos ornamentos, estátuas, cornijas, frisos, cercaduras e um monte de elemento em massa”, acrescenta Andrade.

A Bauhaus trouxe essa ruptura na estética que é observada em Salvador e em outras cidades do estado, como Ilhéus. Os locais abrigam construções projetadas por arquitetos alemães ou formados na Alemanha.

A presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, chama atenção para a preservação dos imóveis e diz que a capital baiana precisa ter essas “referências de época”. “O Instituto do Cacau, que acho belíssimo, retrata muito a Escola de Bauhaus. Foram implantados naquele prédio alguns elementos bem ousados em termo de tecnologia. Dali, o cacau saia em esteira subterrânea até o navio no porto, para exportação”, cita ela, lamentado que a edificação atualmente não possua uso adequado.

Legado – A Escola Bauhaus nasceu da vanguarda artística e da arquitetura que buscava formas e linhas simplificadas priorizando um visual limpo, com a simplificação dos volumes, geometrização das formas e predomínio de linhas retas. A escola, vale reforçar, também revolucionou os campos do design gráfico, design industrial e moda, dentre outras manifestações artísticas ligadas às artes visuais.

Foi fechada em 1933 por Adolf Hitler, sob a acusação de ser um reduto comunista, mas o legado perdurou anos a fio. Tudo o que foi arte moderna e arquitetura moderna da década de 1920 e 1930, até na década de 1960 a 1970 no mundo, de algum modo foi influenciado pela Bauhaus, embora outras influências importantes tenham surgido em diferentes períodos do século passado.

Construções baianas inspiradas pela Bauhaus:

– Sede do Instituto do Cacau (Comércio): Localizado na Avenida da França, s/n, ao lado da Praça Deodoro e junto ao Porto de Salvador, o prédio teve o projeto assinado pelo arquiteto alemão Alexander Buddeus, em 1936. A intenção era abrigar o Instituto do Cacau da Bahia, idealizado pelo então secretário de Agricultura, Inácio Tosta Filho, em 1931. A arquitetura e linhas eram consideradas avançadas para a época. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) em 2002.

– Instituto Central de Educação Isaías Alves (Barbalho): Mais conhecido pela sigla Iceia, o projeto do prédio também é atribuído a Alexander Buddeus e erguido pela Construtora Christiani & Nielsen, nos anos de 1936 a 1939. Para uma formação educacional e socialização completas dos estudantes, foram propostos espaços para a realização de cursos de educação artística, científica e física. A construção do imóvel utilizou materiais como o concreto e o vidro e, em espaços mais nobres, há maior definição de pisos, paredes e portas. Passarelas conectam a série de volumes presentes no conjunto arquitetônico.

– Sanatório Santa Terezinha (Pau Miúdo): Atual Hospital Especializado Octávio Mangabeira (HEOM), foi construído pela Construtora Odebrecht entre 1937 e 1942. O projeto do pavilhão principal foi desenvolvido pelo arquiteto e urbanista franco-brasileiro Jorge Machado Moreira, inicialmente, engloba um bloco principal e três blocos secundários associados, quase formando a letra E. Os solários são compostos por linhas horizontais e extremidades curvas. Foi um dos dois edifícios baianos incluídos na exposição Brazil Builds: architecture new and old, 1652-1942 (Prédios no Brasil: arquitetura nova e antiga, em tradução livre), realizado pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque entre 1942 e 1943.

– Píer Salvador (Ribeira): Conhecido na época da inauguração como Hidroporto da Ribeira, em 1939, foi projetado pelo arquiteto Ricardo Antunes e tinha como função inicial abrigar hidraviões de patrulhamento da costa na época da Segunda Guerra Mundial. Com bastante luxo, o local que foi o primeiro aeroporto de Salvador recebeu, dentre outras autoridades e personalidades, o presidente Getúlio Vargas. O imóvel tem o design marcado pela geometrização e assimetria dos volumes, cor predominantemente branca e dois tipos de janelas, retangulares de vidro e redondos tipo escotilha.

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