Terreiro de Jesus é entregue requalificado pela Prefeitura

Fotos: Max Haack/Secom

Respeitando o traçado original, a praça do Terreiro de Jesus foi entregue no final da tarde desta sexta-feira (7) à população de Salvador, turistas e demais apreciadores do espaço histórico, após passar por obras de requalificação. As intervenções custaram R$ 1,6 milhões e correspondem à primeira ação estrutural feita no local desde a década de 1950. A devolução do equipamento ao público foi realizada ao pôr do sol pelo prefeito ACM Neto, na companhia do vice-´prefeito e secretário de Infraestrutura e Obras Públicas, Bruno Reis, do secretário de Cultura e Turismo, Cláudio Tinoco, e demais autoridades municipais.

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“É um trabalho importantíssimo dentro deste contexto de grandes investimentos que realizamos no Centro Histórico de Salvador, onde já injetamos cerca de R$ 300 milhões em diversas obras. Claro que o Terreiro de Jesus é uma das praças mais importantes da cidade, e não há como não ficar emocionado ao chegar aqui e ver essa beleza que já é patrimônio da humanidade e berço da cultura de nossa capital, hoje mais bonito e inteiramente requalificado para atender a todos que vem conhecer nossa cidade”, disse ACM Neto.

Um dos espaços de grande importância histórico-cultural de Salvador, existente desde o início da colonização do Brasil por Portugal, a praça do Terreiro de Jesus está localizada no coração do Centro Histórico da cidade, no Pelourinho. Está inserido em área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e considerada Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1985 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Inspiração – A última intervenção importante feita na praça do Terreiro de Jesus ocorreu no início da década de 1950, em reforma idealizada pelo arquiteto paisagista Burle Marx, caracterizada pela repaginação do piso com formas orgânicas e sinuosas, plantio de novas espécies, inserção de bancos ao redor das árvores, manutenção do chafariz e de algumas espécies arbóreas pré-existentes.

O material utilizado no piso, como a pedra portuguesa, os seixos rolados pretos e as conchas da região, assim como a permanência do chafariz existente na praça, reforçavam a identidade do lugar. Por sinal, os projetos de Roberto Burle Marx para praças, parques e jardins foram idealizados e executados segundo conceitos até hoje inovadores e atuais.

Ao longo do tempo, o Terreiro de Jesus sofreu diversas descaraterizações, com a supressão e/ou modificação de elementos urbanísticos e paisagísticos. O projeto atual, coordenado pela Fundação Mario Leal Ferreira (FMLF) e desenvolvido pelo escritório A&P Arquitetura e Urbanismo, consiste no resgate da proposta de Burle Marx com as atualizações funcionais e paisagísticas necessárias para os tempos atuais.

“Todas as obras da Prefeitura têm o objetivo de gerar emprego e renda para a população. Queremos atrair recursos para o Centro Histórico da cidade, que é o coração de Salvador e daqui irradia energia para toda a capital. Hoje é um dia histórico para esta cidade. E nós temos a capacidade de resolver problemas de Salvador. Aqui, no terreiro, recuperamos a pavimentação, as pedras, os jardins e o monumento em homenagem à deusa Ceres. Trabalhamos na iluminação para que tudo ficasse alinhado ao ambiente de um dos lugares mais bonitos do mundo”, afirmou Bruno Reis.

Foram executadas as seguintes intervenções:

* Recuperação do desenho de piso proposto por Burle Marx, com adequações pontuais quanto à paginação e especificações de materiais. Foi utilizada a pedra portuguesa (preta e branca), seixo rolado preto, faixa de granilite com conchas molusco “chumbinho”;

* O chafariz foi restaurado pela Fundação Gregório de Matos (FGM);

* Reintrodução do canteiro de formas sinuosas com planto de espécies herbáceas e arbustivas, seguindo o projeto original;

* Resgate da massa arbórea proposta originalmente, proporcionando considerável aumento de área sombreada na praça;

* Remoção das rampas existentes e introdução de novas rampas curvas nas esquinas da praça, permitindo acessibilidade mais próxima às linhas de fluxo de pedestres;

* Limpeza visual de todo o espaço com a remoção de postes, quadros de energia, cabeamentos aéreos, placas de sinalização e outros elementos arquitetônicos ou de sinalização;

* Implantação de nova iluminação cênica e pública, buscando minimizar o impacto visual e valorizar os elementos da praça;

* Atualização do mobiliário urbano, com a inserção de bancos em granito e lixeiras metálicas.

História – Nos primeiros anos da década de 1550, pouco tempo depois da fundação de Salvador pelo governador-geral Tomé de Sousa, os jesuítas receberam a área norte da nova cidade, na qual os padres da ordem, liderados por Manuel da Nóbrega, construíram uma primeira capelinha de taipa e o primeiro edifício do Colégio dos Jesuítas. Devido à presença dos padres da Companhia de Jesus, o largo em frente passou a ser conhecido como “Terreiro de Jesus”.

Anos se passaram e a beleza do lugar continua chamando atenção de soteropolitanos e turistas, especialmente por ser a única praça do Brasil que está inserida em um conjunto arquitetônico onde há igrejas seculares ao seu redor: Catedral Basílica, Igreja da Ordem Terceira de São Domingos, Igreja de São Pedro dos Clérigos e Igreja e Convento de São Francisco, além da primeira Faculdade de Medicina do país.

A fonte do Terreiro foi interligada ao primeiro sistema de abastecimento de água do Brasil, o Sistema do Queimado. Ela traz a escultura de Ceres e de quatro mulheres que representam os rios baianos São Francisco, Paraguaçu, Jequitinhonha e Pardo.

Ações interligadas – Nos últimos anos, a região do Centro Histórico tem sido alvo de um conjunto de iniciativas da Prefeitura. Medidas que vieram proporcionar a dinamização e reocupação dos espaços públicos que estavam degradados ou subutilizados pela população.

No Comércio, por exemplo, já foram entregues a nova Praça da Inglaterra e o Hub Salvador. No mesmo bairro, estão em andamento as obras de requalificação da Rua Miguel Calmon, da Praça Cairu e da Praça Marechal Deodoro. O Comércio vai ganhar ainda o Polo de Economia Criativa e será beneficiado com a recuperação do Elevador do Taboão, que não funciona há mais de 50 anos e cujas obras já foram iniciadas.

Outros destaques são as inéditas obras de revitalização que estão em andamento na Avenida Sete de Setembro e Praça Castro Alves e no Mercado de São Miguel (Baixa dos Sapateiros). A Prefeitura vai requalificar ainda os terminais rodoviários da Barroquinha e do Aquidabã. A revitalização da Rua Cônego Pereira já está em andamento.

A lista de ações ainda contempla a requalificação da muralha do frontispício e dos arcos da Ladeira da Montanha, que terão ordem de serviço em breve, além da implantação do Museu da Música e do Arquivo Público Municipal, a serem instalados no Comércio.

Fomento à ocupação – Além de intervenções urbanísticas, a gestão municipal tem investido em equipamentos e atrações culturais para incentivar o movimento de pessoas no Centro Histórico o ano inteiro, a exemplo da Casa do Carnaval e do projeto Pelourinho Dia e Noite.

Vale lembrar que está em elaboração pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) um projeto habitacional de ocupação de imóveis para moradia no Centro Histórico, com a utilização de casarões abandonados. Além disso, cerca de 80% dos órgãos da Prefeitura serão transferidos para o Comércio até 2020.

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