ESCUTE a entrevista! Em Salvador, Ciro Gomes analisa governo Bolsonaro: “Brasil está ameaçado de se desintegrar”

Nesta quarta-feira (17/07), no auditório da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBa), o ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), apresentou uma análise feita por um grupo de especialistas de diversas áreas sobre os seis primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro (PSL). Com base no Observatório Trabalhista, ferramenta criada para acompanhar os principais indicadores da economia e demais setores brasileiros, o político trouxe as perspectivas para os próximos meses.

Durante a palestra, Ciro Gomes afirmou que o “Brasil está ameaçado de se desintegrar como nação” e disse que a tragédia foi iniciada em 2016, no ano do impeachment, que contribuiu para a “pior crise social e econômica da história do país”.

“O povo não está tendo paz nem para pensar”, pontuou o pedetista, ao lembrar a guerra entre bolsonaristas e petistas radicais. “Bolsonaro pode fazer qualquer estripulia”, pois, ainda assim, “alguns vão defendê-lo”.

Apesar das críticas, lembrou que o estudo “não é uma sentença absoluta sobre o governo Bolsonaro”.

Ciro Gomes

“Ele pode melhorar e ele pode mudar. Não é justo que a gente faça uma análise definitiva, pois ele recebeu uma herança macabra. Mas ele está piorando a situação e não melhorando”.

Os números apresentados são oficiais e foram extraídos de órgãos do governo.

“Estamos comparando alho com alho, bugalho com bugalho. Não tem pegadinha, não tem fake news. Inclusive, os números já estão corrigidos com correção monetária”, pontuou.

auditório da Assembleia Legislativa da Bahia

Ainda segundo Ciro, o objetivo é mostrar os dados “com toda honestidade”.

O ex-candidato a presidente, que recebeu quase 13 por cento dos votos na última eleição, afirmou também que o Brasil está “diminuindo profundamente os investimentos” públicos e com isso, “congelando a economia”, “demitindo gente” e “destruindo o comércio”.

“Está estabilizado o desemprego brasileiro em 13 milhões de pessoas”, disse, acrescentando que o número é igual ao ano passado.

Ciro alertou ainda que “um milhão de pessoas já estão inutilizadas”, pois não está gerando, por exemplo, horas extras nas empresas. Com isso, a tendência é que sejam demitidas.

Os jovens de 18 a 24 anos são os que mais sofrem com 27% dessas pessoas sem fazer, absolutamente, nada. No ano anterior, o número era 15%.

O levantamento apontou ainda que 63 milhões de pessoas estão com o nome sujo no Serasa. Com isso “não há consumo”. Outra questão exposta é que a taxa de juros do governo Bolsonaro é a mais baixa dos últimos anos, porém, “não tem tido efeito (positivo) nenhum”, já que o cenário continua parecido com o dos anos anteriores e “o brasileiro paga 271 por cento de juros ao ano com os cartões de crédito”.

“O Brasil é mandado e comandado pelos bancos. O dólar está muito alto e produzindo um desequilíbrio”, opinou. O valor atual da moeda americana é R$3,84, o mais alto da história.

“A divida está 5,4 trilhões de reais devido a juros sobre juros. A divida pros banqueiros só cresce. A especulação financeira manda no Brasil”, disparou Ciro, que também classificou a situação como “nova escravidão”.

“As famílias estão muito endividadas e com isso, elas não vão voltar ao consumo, pois a prioridade é pagar as dívidas… A indústria brasileira está trabalhando sem crescimento. O governo Bolsonaro está trazendo o país para a recessão. Vai ser mais um ano perdido sob o ponto de vista econômico”, afirmou.

Os dados do primeiro semestre desse ano com o mesmo período do ano passado são preocupantes. Na área da Cultura, o investimento foi de apenas R$220 mil reais, o mais baixo dos últimos 7 anos.

Outra péssima constatação foi em relação a Ciência e Tecnologia, que teve R$1,47 bi, de janeiro a junho desse ano. No mesmo período do ano passado, o valor foi R$1,76 bi. Já em 2014 foi R$2,3 bi. No pior ano do governo PT, 2016, o valor foi R$2,01 bi.

No Meio Ambiente, houve crescimento. Enquanto no ano passado o investimento foi de R$870 mil nos seis primeiros meses, esse ano o valor é de R$940 mil. O número é menor que em 2012, quando foi investido pouco mais de R$1 milhão.

Na Educação, até o momento, foram executados R$33 bi contra R$37,5 bi no mesmo período de 2018. Em 2016 o valor foi R$38,1 bi e em 2014, R$36,8 bi. Já em 2012, o valor foi menor que o governo Bolsonaro com R$25,7 bi.

O pedetista mostrou que na área da Saúde, o caos também é notório. Os indicadores de vacinas e coberturas revelam apenas 57,1% em 2019 contra 78,7% em 2018; 72,2% em 2016; 86,3% em 2014; e 77,3% em 2012. A vacina da tríplice vital, por exemplo, só alcançou 68,9% do público, enquanto a poliomielite e a meningocócica 65%. Já as vacinas da hepatite A e da B, chegaram 68,3% do público-alvo.

Após a apresentação, Ciro Gomes concedeu entrevista coletiva a imprensa. Escute abaixo.

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