Mais de 6 mil mulheres são assistidas pela Ronda Maria da Penha na Bahia

A reflexão sobre os casos de agressões que atingem as mulheres motivaram a realização do evento Diálogos pela Vida: um panorama da Violência Contra a Mulher. O evento promovido Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria de Planejamento do Estado (Seplan), aconteceu no auditório do Centro de Operações e Inteligência (COI), na manhã desta segunda-feira (9). Foram abordados aspectos ligados a violência obstétrica, padrões de mortalidade das mulheres na Bahia e destacou-se a autuação da Ronda Maria da Penha.

A subcomandante da Ronda Maria da Penha, capitã Alcilene Coutinho, comentou os avanços obtidos e os desafios nestes 5 anos de implantação da iniciativa. A Ronda está presente em Salvador e mais 15 municípios e realiza o acompanhamento de mais de 6 mil mulheres que têm medida protetiva deferida pelo Poder Judiciário. “Em todo o estado são mais de 6 mil mulheres que contam com esse acompanhamento, que inclui a realização de visitas periódicas por parte de nossa equipe em um local determinado pela mulher vítima de violência. É um atendimento específico , especializado e que atende a demanda daquela mulher assistida. É uma política pública que tem se estendido em um processo de interiorização. A mensagem que deixamos sempre é a importância da denúncia e o rompimento do ciclo de violência, porque isso é garantia de vida”.

O economista da SEI, Jadson Santana, atua na coordenação de Estatística do órgão, e explica que regularmente são produzidos estudos sobre diversos temas, sendo a violência contra a mulher um deles, e os mesmos são utilizados para embasar as proposições de políticas públicas. “A gente precisava ouvir a contribuição de outros agentes importantes que estudam a temática da violência contra a mulher, e por isso este evento. Como nosso órgão é voltado para estudos e pesquisas, então ajudamos a desenvolver subsídios para que o Estado adote políticas públicas voltadas para esta área’.

No evento também foi abordada a violência obstétrica que, segundo a pesquisadora Camila Torres, ainda é pouco discutida. Ela destaca que o Brasil é o segundo país com a maior taxa de cesarianas no mundo, pois as mulheres evitam o parto normal por receio de um parto traumático. “É importante falar de violência obstétrica para informar às mulheres. Muitas das vítimas não sabem identificar esse tipo de violência. Hoje alguns procedimentos são realizados sem respaldo e evidencia cientifica que comprove o beneficio, e por isso são considerados violência obstétrica. É um monitoramento difícil, mas que nos últimos 10 anos começou a ser discutido e com muitas publicações científicas”.

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