Bahia vai incorporar novas tecnologias sustentáveis à matriz energética

Cerca de 1,5 mil pessoas acompanharam, nesta quarta-feira (19), o webinário ‘Meio Ambiente e Energias Renováveis: Novas Perspectivas’, realizado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), com o apoio das associações brasileiras de Energia Eólica e de Energia Solar, a ABEEólica e a Absolar.

Coordenado pelo secretário do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira, e pela diretora-geral do Inema, Márcia Telles, o evento teve a participação do secretário nacional de Planejamento e Desenvolvimento Energético, Reive Barros dos Santos, representando o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque; do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone; além dos secretários estaduais, do Planejamento, Walter Pinheiro; de Infraestrutura, Marcus Cavalcante; de Desenvolvimento Urbano, Nelson Pelegrino; do Chefe de Gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Luiz Gugé, representando o vice-governador e secretário João Leão; da presidente executiva da ABEEólica, Elbia Gannoum, e do presidente executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia.

Em primeira mão, Reive Barros anunciou que o Ministério de Minas e Energia (MME) realizará em 2021 o primeiro leilão de geração de energia utilizando Resíduos Sólidos Urbanos (RSU). “O ministério está preparando um leilão voltado para a fonte de resíduos sólidos urbanos que será realizado da mesma forma como nós fizemos com outras fontes de energias renováveis, como a eólica e a biomassa. Não temos dúvida que daqui a seis anos estaremos aqui na Bahia mostrando que essa decisão também foi exitosa”, afirmou o secretário, lembrando que o Brasil tem um bom problema, por ter várias fontes de energia com potencial disponível, e que o ministério definirá as políticas necessárias para permitir que essas fontes tenham participação na matriz energética.

O secretário do Meio Ambiente da Bahia ressaltou a importância da pesquisa e inovação para o desenvolvimento de novas tecnologias que possam se incorporar à matriz energética do estado. “Nesse momento de crise que atravessamos, esta é uma rica oportunidade de ampliarmos o debate sobre as novas perspectivas de energias renováveis para o Brasil e para a Bahia, que ocupa a primeira posição no cenário nacional na geração de energia solar e eólica”, afirmou o secretário, acrescentando que o protagonismo baiano não deve se limitar à geração desses dois tipos de energia. “Temos potencial e precisamos incorporar novas tecnologias à nossa matriz energética, com a produção de uma energia limpa, ambientalmente sustentável e sintonizada com o enfrentamento às mudanças climáticas”, afirmou João Carlos.

Para a diretora-geral do Inema, também anfitriã do evento, o protagonismo baiano é fruto de um trabalho conjunto ao longo dos últimos anos. “Nós temos conseguido melhorar os procedimentos administrativos, as pesquisas e estudos e a qualidade dos processos apresentados pelos agentes econômicos ao órgão ambiental. Assim, conseguimos avançar com medidas que possam nos trazer essa nova geração de energia, que vai permitir que a gente promova um desenvolvimento econômico sustentável e a cada dia levar o estado da Bahia para o patamar que ele merece”, disse Márcia Telles.

Novas tecnologias sustentáveis

Marcus Cavalcanti comentou que está realizando, junto com a secretarias do Planejamento (Seplan), de Ciência e Tecnologia (Secti) e o Senai Cimatec, a elaboração de um estudo do potencial enérgico da biomassa na Bahia, tanto para produção de eletricidade, como de biogás. O secretário lembrou que, no início do setor eólico, o Estado adotou uma postura agressiva no segmento de energia, criando padrões de regularização fundiária e de licenciamento ambiental, além de adotar incentivos fiscais, para atrair a indústria eólica para a região.

“A Bahia chegou à liderança nacional de geração de energia eólica e solar com muito esforço e uma visão de Governo há cerca de doze anos, quando iniciamos os investimentos para a elaboração do primeiro mapa do potencial de geração de energia eólica aqui na Bahia. Hoje estamos com o segundo mapa, um trabalho árduo para criarmos um marco no licenciamento desses empreendimentos, uma novidade no Brasil à época. Agora estamos realizando o estudo do potencial enérgico da Biomassa, a Bahia quer continuar liderando a geração das fontes renováveis”, afirmou Cavalcanti.

Já Walter Pinheiro lembrou o amplo potencial da Bahia para ampliar ainda mais a geração de energia a partir de fontes renováveis. “O desenvolvimento das renováveis deve levar em consideração o perfil e as necessidades de cada região, para o planejamento integrado do desenvolvimento, considerando a biomassa, a energia solar e a eólica. Também é preciso enxergar a energia de fontes renováveis como elemento central do debate da questão ambiental”.

“A geração distribuída da energia tem o potencial de desenvolver as mais diversas cadeias produtivas em regiões onde ainda não chegaram as linhas de transmissão, como é o caso da cadeia produtiva do sisal, cuja região aqui na Bahia produz 95% do sisal de todo o país. Portanto, temos que desenvolver este setor também como elemento central da solução de gargalos na produção da agricultura familiar”, acrescentou Pinheiro, ao completar que o setor deve ser utilizado como alavanca de desenvolvimento para a saída da atual crise desencadeada pela pandemia do coronavírus.

Painéis

Durante o evento foram realizados três painéis que abordaram a geração de renda e inclusão produtiva; a retomada econômica sustentável no Nordeste e os desafios e perspectivas da Biomassa e do Biogás. Para a presidente Executiva da ABEEólica, palestrante do painel sobre Meio Ambiente, Geração de Renda e Inclusão Produtiva, enquanto o mundo passa por um momento de transição de sua matriz, o Brasil pode fazer uma transformação energética.

“O Brasil sai de uma posição muito mais vantajosa porque já estava vivendo a transição e agora pode fazer sua transformação energética. O meu olhar para essa transformação tem duas bases distintas: a primeira base está associada na própria transformação da matriz, trazendo as novas tecnologias que o mundo está desenvolvendo, a exemplo dos veículos elétricos. A outra via da transformação é a atração de investimos privados, com a retomada do crescimento econômico pós pandemia, com investimentos em infraestrutura, e energias renováveis, com geração de emprego e renda para sociedade”, afirmou Elbia Gannoum.

A promotora Cristina Seixas, palestrante do painel sobre Desafios e Perspectivas da Biomassa e Biogás, ressaltou a potencialidade do país em ampliar as fontes de energia renováveis, ressaltando o papel da biomassa como uma das melhores e mais simples tecnologias a serem utilizadas. “O Brasil tem uma potencialidade incrível de ampliar suas fontes de energias renováveis e cumprir sua gestão para a redução de emissão de gases de efeito estufa. Garantindo, portanto, as decisões que foram tomadas quando participamos do Acordo de Paris e todos os outros protocolos para os efeitos de mudanças climáticas que o Brasil é signatário”, disse.

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