“Braba da La Fúria”, radialista do gueto e mãe de santo do Calabar embolam jogo no Podemos

O nome dela é Quessiane da Silva Santos e tem 22 anos. A morena ‘estilo cabo verde’ está sacudindo os bastidores da política baiana. Estamos falando da dançarina conhecida como “Braba da La Fúria”, que é pré-candidata a vereadora de Salvador. De Saramandaia, ela tem orgulho da origem humilde e cria dois cachorros: um pitbull e um pinscher.

Uma postagem no Instagram com mais de 29 mil curtidas e mais de 1.800 comentários pegou caciques de algumas legendas de surpresa e uma rápida pesquisa sobre a gata demonstra que ela deve surpreender. Consequentemente, um problema a mais para seus “concorrentes diretos”, ou não, do Podemos, partido comandado na Bahia pelo pré-candidato à prefeitura da capital, deputado federal Bacelar. Se trabalhar certo e conseguir organizar a campanha, pode superar 10 mil votos. São os comentários nos bastidores.

Internamente, a sigla acredita que consegue eleger três vereadores. Até então, cinco eram “favoritos absolutos”. São eles: Emerson Penalva, que, inclusive, conta com o apoio incondicional do vice-prefeito Bruno Reis; Toinho Carolino e Sidninho, ambos com mandato; Janaína Rios, que trabalha na causa animal; e o professor Cláudio Abdala, com forte atuação no movimento negro.

A briga ainda conta com outros nomes novos, que também podem surpreender e “tirar vagas” dos edis com mandatos. O secretário-geral do Podemos, Jacson Souza, por exemplo, é um dos que estão deixando Sidninho e Toinho mais carecas. Do Nordeste de Amaralina e com “lembranças” na maioria dos bairros, o experiente pré-candidato coordenou diversas campanhas vitoriosas do seu líder Bacelar e do prefeito ACM Neto.

Sem tanta experiência, mas não menos importante, surgem os nomes da Mãe Alana do Calabar e do radialista da favela Sullivan Santos. A primeira trabalha com pessoas carentes, é mulher trans, negra e ialorixá. Ela atua ainda no movimento LGBTI+ e na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Já Sullivan é um suburbano que já foi testado nas urnas e ampliou consideravelmente seu trabalho social e comunitário. Além disso, o “boa praça” ensina técnicas circenses aos jovens dos bairros em que atua. Não podemos deixar de citar seu traquejo no diálogo com os gestores públicos que resultam em importantes obras.

O Informe Baiano apurou ainda outros nomes fortes que atuam para, no mínimo, conseguir uma vaga de suplente da legenda: Fabety Boca de Motor, Eduardo Uga Uga, Mestre Átila Torres, Eric Pereira, Zé de Dunga e André Mota.

Fala, Braba!

Do gueto, Quessiane fala com orgulho que é nascida e criada em Saramandaia. Tímida, afirma que no palco interpreta uma personagem e lembra que é oriunda dos projetos sociais Cidade Mãe e Arte Consciente, onde estudou teatro, dança, circo e capoeira.

“Eu quero lutar por projetos nas comunidades, pois eu sei a importância. Algumas pessoas dizem que por eu ser nova, eu não tinha capacidade para disputar o cargo de veradora. Porque não? Cada um tem uma história e eu conheço a minha realidade e do meu povo. Eu sei onde o calo aperta e onde tem que atuar. São muitos comentários desnecessários, muitos eu prefiro nem olhar mais nas redes para não me contaminar”, defendeu a “Braba”.

“Os músicos são muito desvalorizados, a gente não tem carteira assinada. Essa vida de banda é muito difícil, a realidade de quem vive nas estradas é dura. Tem também a questão dos paredões, que são muito discriminados. Quando eu falo da questão dos paredões, não são os paredões que ficam nos bairros incomodando as pessoas de bem e sim os paredões que são contratados para tocar nos eventos. Eu quero discutir e se possível, regulamentar isso. Ah, mas com Braba? Por exemplo, ter um espaço público e bem localizado destinado para essa prática. Isso, além de ser ótimo para quem curte, beneficiaria as pessoas que não gostam e a Polícia Militar”, sugeriu.

“Tem também a questão da mulher. Só pelo fato da gente subir no palco e dançar, somos chamados de escrotas. Acham que tem o direito de julgar a gente e discriminar. Muitos acham que a gente é puta porque dança no palco. Mas é minha dança que coloca comida no prato da minha família. Minha mãe, por exemplo, tem um curso de segurança, mas nunca atuou, pois as empresas preferem os homens. A mulher não pode ficar para trás, isso tem que acabar”, concluiu.

E aí, Mãe?

“Eu defendo políticas públicas para as minorias, a exemplo dos travestis e transexuais, que vivem à margem da sociedade e sem saúde, educação e trabalho. Outro grave problema é a questão das crianças e adolescentes que vivem em situação de rua e vulnerabilidade. Precisamos alertar os gestores sobre isso. Também é preciso trabalhar os terreiros de candomblé, como os de nação Angola, que vem sumindo em Salvador. Precisamos capacitar e criar mecanismo de entretenimento para essa população, a maioria pessoas negras”, disse Mãe Alana.

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Feliz dias dos país.

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É com você, Sulivan!

“Eu tenho 40 anos, sou cristão, radialista e líder comunitário. Eu sempre digo: a comunidade pode muito mais e precisa de muito mais. Eu vivo o dia a dia nas comunidades. É preciso trabalhar mais nos setores de saúde, educação e lazer. É isso que eu defendo e meu sonho é que todos tenham direito a uma educação pública de qualidade, pois somente assim vamos conseguir transformar a sociedade e consequentemente, ter um serviço de saúde exemplar e emprego para todos. Nós queremos muito mais”, disparou Sulivan.

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