A TIGRESA DOS ALGORITMOS: Virginia Fonseca é investigada pela PF por movimentações suspeitas em empresas, diz revista

A influenciadora Virginia Fonseca passou a ser investigada pela Polícia Federal após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações consideradas atípicas em empresas vinculadas a ela. A informação foi divulgada pela revista Piauí.

Virginia havia sido alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, instalada para investigar possíveis irregularidades no setor de apostas on-line. Em junho de 2025, porém, ela deixou a comissão sem ser indiciada após a rejeição do relatório final pela maioria dos integrantes.

Segundo a publicação, os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Coaf e anexados à CPI serviram de base para a abertura das investigações. As autoridades apuram a legalidade das operações financeiras realizadas por empresas ligadas à influenciadora, a origem dos recursos movimentados e a possível ocorrência de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro.

Entre as empresas citadas está a Talismã Digital, que tinha como sócios Virginia e o cantor Zé Felipe. De acordo com os documentos, a empresa recebeu R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024. Desse total, R$ 17,7 milhões teriam sido transferidos pela AMP Pay Marketing e Negócios por meio de cinco operações via Pix.

O Santander teria comunicado o Coaf após identificar que a AMP Pay está enquadrada no regime tributário Simples Nacional, destinado a empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. O banco também apontou como fator de atenção o fato de a empresa estar registrada em um box comercial no Centro de Itajaí, em Santa Catarina.

Outra empresa mencionada é a WPink Suplementos Nutricionais. Segundo a reportagem, o Mercado Pago informou ao Coaf movimentações realizadas entre janeiro e março de 2025 que somaram R$ 43,6 milhões em créditos e R$ 43,5 milhões em débitos. As operações foram classificadas como atípicas por supostamente não serem compatíveis com o faturamento mensal informado.

A Savi Cosméticos S.A., responsável pela marca Wepink, também foi alvo de comunicação ao Coaf. O Itaú relatou 190 transações que totalizaram R$ 502 mil entre novembro de 2023 e maio de 2024, realizadas por meio de depósitos em espécie em diferentes caixas eletrônicos. Para o sistema financeiro, esse tipo de movimentação fragmentada pode levantar suspeitas sobre a origem dos recursos.

Em nota à Piauí, os advogados de Virginia afirmaram que as operações possuem justificativas comerciais e foram devidamente declaradas aos órgãos competentes.

Sobre os repasses da AMP Pay à Talismã Digital, a defesa informou que os valores se referem a campanhas publicitárias regularmente contratadas e acompanhadas da emissão das respectivas notas fiscais.

Em relação à WPink Suplementos Nutricionais, os representantes da influenciadora afirmaram que a empresa utiliza, de forma eventual, mecanismos de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática comum no mercado.

Já sobre os depósitos em espécie relacionados à Wepink, a defesa declarou que os valores correspondem às receitas obtidas em quiosques próprios da marca, que contava com 11 unidades em 2023 e 13 em 2024.

Até o momento, não há informação sobre eventual indiciamento da influenciadora. As investigações seguem em andamento.

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