Período chuvoso agrava transtornos causados por mau uso das redes de esgoto e de drenagem

Com a chegada do período chuvoso, identificar a diferença entre rede de esgoto e rede de drenagem pluvial é ainda mais importante para garantir o bom funcionamento de ambas e evitar transtornos como obstruções e extravasamentos. Para se ter uma ideia, em meses com baixa incidência de chuvas, a Embasa registra uma ocorrência bem menor no número de manutenções emergenciais na rede coletora de esgoto. Em Salvador e Região Metropolitana (RMS), por exemplo, no último mês de fevereiro a Embasa realizou 890 serviços de desobstrução de esgoto na RMS. Em março, quando começou a chover na capital baiana, este tipo de manutenção foi executado cerca de 1.500 vezes, um aumento superior a 60%.

“No período chuvoso, os problemas decorrentes do mau uso das redes de esgoto e de drenagem são potencializados. O lançamento indevido da água de chuva na rede coletora pode ocasionar extravasamentos e até o retorno do esgoto às residências e poços de visita”, explica Carlos Ramirez, diretor de Operação da Embasa na RMS. “A rede de esgoto não é dimensionada para receber o grande volume das águas pluviais. Retirar a tampa de um poço de visita durante a inundação de uma rua só vai piorar a situação, pois o esgoto fatalmente transbordará, trazendo grandes riscos à saúde da população”, aponta.

De responsabilidade da Embasa, a rede coletora de esgoto doméstico recolhe a água utilizada nos domicílios, dando-lhes destinação adequada. Em Salvador, depois de condicionado, o efluente é conduzido via emissários submarinos para dispersão no oceano, em distância e profundidade seguras, sem oferecer riscos ao meio ambiente. Nas cidades do interior, o efluente tratado é lançado em cursos d´água de acordo com parâmetros determinados por legislação ambiental. Para garantir o bom funcionamento da rede de esgoto, é importante observar mais algumas regras, como não jogar lixo no vaso sanitário ou nos ralos (resto de comida, papel, absorventes, preservativos, cabelo, plástico, etc); limpar periodicamente a caixa de gordura; não fazer ligação na rede de esgoto para escoar água de chuva; não descartar óleo de cozinha nem borra de café na pia, pois esses materiais entopem a rede.

Já a rede de drenagem pluvial é um equipamento público instalado e mantido pela prefeitura municipal. A rede de drenagem permite o escoamento das águas de chuva que, após captadas por galerias, são lançadas no mar, rios ou lagoas. A água de chuva é capaz de carregar, pela força da gravidade, lixo, areia, pedras e a sujeira das ruas para as estruturas de escoamento de uma cidade. Quando existe muito lixo (resíduos sólidos) misturados à água de chuva, isso pode entupir a rede de drenagem e causar alagamentos. A regularidade da limpeza urbana e a educação da população no manejo do lixo que produz é essencial para o bom funcionamento da drenagem pluvial no ambiente urbano das cidades.

Diferenças à primeira vista – Algumas diferenças entre rede de drenagem e rede coletora de esgoto podem ser facilmente identificadas pela população. As conhecidas bocas de lobo, por exemplo, pertencem à rede de drenagem pluvial, têm formato retangular e situam-se sempre paralelas aos calçamentos de ruas. Em geral, os poços de visita (PVs) da rede de drenagem estão situados no centro das ruas, enquanto os PVs da rede de esgoto ficam no calçamento e possuem a inscrição da Embasa. Outra forma de distinguir as duas redes é observar se são feitas em tubos de PVC (esgoto) ou manilhas de concreto (drenagem). Além disso, o diâmetro das tubulações da rede de drenagem pluvial é sempre maior.