Prefeitura e comunidade de Portão discutem ações de combate à violência e promoção da paz no bairro

Com a participação líderes religiosos, representantes da sociedade civil e familiares das vítimas da chacina da semana passada, em Portão, a Prefeitura de Lauro de Freitas conclamou a comunidade para construir coletivamente propostas de ações, programas e projetos com o objetivo de reduzir os índices de violência no município e de promover a paz.

A gestora iniciou o encontro prestando homenagens às vítimas da chacina, que matou seis pessoas incluindo dois adolescentes. “Não podemos permitir que brutalidades como essas aconteçam em nossa cidade. Esse é um espaço para dialogarmos no intuito de construir alternativas para sair dessa violência”, disse Moema.

A oitiva, que trouxe para o debate o tema “por uma cultura de paz e da não violência”, atraiu professores de artes, músicos, mestres de capoeira e da cultura popular, representantes de associações de bairros, vereadores, secretários e moradores da região.

Para dona Aidê, mestre da cultura, projetos em que crianças e adolescentes possam aprender ofícios no turno oposto a escola pode ser o caminho. “Tirar essa juventude do ócio, isso é o que faço há décadas em Portão, passo nossa cultura e ocupo a mente deles”, relatou.

Emocionado, o músico Marlon Freire contou sobre o projeto que desenvolve em Portão. “Quando eu cheguei aqui, ninguém acreditava que eu iria conseguir colocar esses jovens para tocar instrumento e hoje nós somos muitos”, disse. Freire era professor de percussão de Pablo Ferreira, de 15 anos, assassinado na chacina que chocou o município.

“Ele era um menino bom, sonhador. Ele não era marginal como dizem por aí para tentar justificar esse crime brutal “, contou com lágrimas nos olhos.

Moema explicou que este é o primeiro encontro de uma série que virão. “Não temos fórmulas mágicas, somos uma cidade com três delegacias, duas companhias de Polícia Militar, batalhões, Base Comunitária, Ronda Maria da Penha. São mais de 600 policiais atuando em nossa cidade. Nosso problema não é falta de policiamento. Juntos vamos encontrar uma solução”, frisou.

Ao final da reunião foi criada uma comissão, composta por 15 pessoas voluntárias. O objetivo é fazer com que esses representantes acompanhem de perto o desenvolvimento das ações e sejam proponentes. Dessa comissão, deverá ser criado um foro permanente de debate para monitorar a discussão.

Outras propostas, como a retomada do Programa Escola Aberta, a busca ativa de jovens evadidos da escola e mulheres sem autonomia financeira, retomada do Conselho dos Direitos Humanos nos bairros e mais espaços de lazer foram as primeiras propostas encaminhadas.

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