Bispo argentino é denunciado por abuso sexual

O Ministério Público de Violência Familiar e de Gênero de Orán, na Argentina, denunciou o bispo Gustavo Óscar Zanchetta por abusos sexuais contra seminaristas.

O monsenhor, que também é alvo de inquérito no Vaticano, chefiava a diocese de Orán, mas renunciou ao cargo em 2017. No fim do mesmo ano, no entanto, foi nomeado “assessor” da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Aspa), cargo até então inexistente, pelo papa Francisco.

Além disso, em março passado, participou do retiro espiritual de Quaresma realizado anualmente pelo Pontífice nos arredores de Roma.

Esse é o primeiro processo judicial contra o sacerdote, que pode pegar de três a 10 anos de prisão. Zanchetta teve seu passaporte apreendido e foi impedido de fazer uma viagem à Itália que estava programada para a última sexta-feira (7).

As denúncias contra o bispo surgiram entre 2016 e 2017, por parte de cinco sacerdotes e dois monsenhores, que também o acusam de abuso de poder e má gestão financeira.

A primeira denúncia, assinada pelo reitor e por dois ex-vigários do seminário em questão, elenca comportamentos inapropriados do argentino, como entrar à noite nos quartos dos seminaristas, pedir massagens, agredi-los e convidá-los para tomar bebidas alcoólicas.

Em entrevista ao canal Televisa, no fim de maio, o Papa admitiu que foi sua a decisão de levar Zanchetta ao Vaticano. “Fiz com que ele viesse e pedi sua renúncia. Bem claro. Enviei-o à Espanha para fazer um exame psiquiátrico”, disse Francisco na ocasião, acrescentando que também pediu a abertura de uma investigação contra o bispo na Congregação para a Doutrina da Fé. (ANSA)