Sacerdotes de religião de matriz africana de Lauro de Freitas são homenageados

O terceiro encontro Guardiões de Nossas Ancestralidades – Troféu Axé Bahia Olorun Aleda – homenageou 24 sacerdotes de Religião de Matriz Africana de Lauro de Freitas, nesta sexta-feira (23), no Terminal Turístico Mãe Mirinha de Portão. Promovido pela Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro (Fenacab), com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), o evento visa fortalecer povos de terreiros de Candomblé em defesa da preservação material e imaterial da ancestralidade.

Reconhecida pela Fenacab como Ojú Ará Orixá – Olhos do Povo de Santo – a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, recebeu uma homenagem em nome das representações de Matriz Africana. “Nenhum gestor pode achar que consegue comandar sozinho. Devemos sempre pensar na cultura democrática, principalmente para aqueles que historicamente foram excluídos”, destacou Moema ao agradecer o reconhecimento dos povos de santo.

Em vista a geração de emprego e renda, a prefeita incentivou as representações do culto afro-brasileiro a se organizarem junto a Prefeitura Municipal para colocarem em atividade o Espaço Mauanda, local destinado à comercialização de produtos confeccionados nos terreiros. No seu discurso, Moema ainda ressaltou que a reforma do anfiteatro do Terminal Turístico será entregue em breve e que o Fundo Municipal de Cultural, criado em sua segunda gestão, é uma garantia democrática para as religiões no município.

O secretário da Secult, Manoel Carlos dos Santos, saudou os homenageados e enfatizou a relevância da presença de manifestações de matriz africana na história e cultura do município. Jadilson Lopes, presidente da Fenacab, destacou a preservação da ancestralidade e luta contra a intolerância religiosa.

“Hoje homenageamos símbolos da nossa cultura. Demonstramos nosso potencial de estarmos juntos e devemos agradecimentos à prefeita Moema Gramacho por valorizar nosso povo” enfatizou. Em Lauro de Freitas, 426 terreiros de Candomblé estão cadastrados pela Fenacab. Três deles são tombados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – São Jorge Filho da Goméia, Ilê Axé Ajagunã, Ilê Axé Opô Aganju.

Além das homenagens aos guardiões, uma Feira da Economia Sagrada movimentou o evento. Ana Maria Souza levou bonecas africanas feitas com materiais recicláveis para a exposição. “Esta é a primeira vez que participo da feira. É muito bom poder estar nestes espaços promovendo a nossa cultura através do artesanato”, disse. Vestimentas, acessórios, entre outros objetos referentes à cultura afro-brasileira também foram comercializados. As barracas da feira foram concedidas pela Secretaria Municipal de Trabalho Esporte e Lazer (Setrel).

Um espaço para as obras artísticas de Nilson Carvalho também foi reservado na área verde do Terminal. O expositor demonstrou através da técnica de arte francesa, quadros com ilustrações de origem africana. Apresentações culturais e de percussão fizeram parte do evento.

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