Pesquisadores franceses acreditam que nicotina pode combater coronavírus; INCA alerta para riscos da relação

Um grupo de cientistas franceses estuda um possível efeito da nicotina contra coronavírus, doença que já matou milhares de pessoas em todo mundo. A pesquisa realizada por cientistas do hospital Pitié Salpêtrière, em Paris, e pelo neurobiólogo Jean-Pierre Changeux e publicada pela Academia de Ciências da França, observou o comportamento do vírus no organismo dos fumantes e não-fumantes. Foram analisados 350 pessoas hospitalizadas e 130 pacientes que desenvolveram sintomas leves do coronavírus – todos testados positivos à doença. Entre eles, apenas 5% eram consumidores regulares de cigarro.

Junto ao neurobiólogo Jean-Pierre Changeux, o professor Zahir Amoura, que dirigiu o estudo hospital Pitié Salpêtrière, trabalha com a hipótese de que algo no cigarro – mais especificamente a nicotina – poderia dificultar o vírus de ser assimilado pelo organismo. Outra ideia é que essa substância presente no cigarro também poderia atenuar a resposta imunitária excessiva observada nos casos mais graves da doença.

“Há cerca de 80% menos de fumantes entre os contaminados pela Covid-19 do que na população geral, considerando o mesmo sexo e a mesma idade”, explicou Amoura à rádio France Inter. O cientistas se apoiam em outros dados divulgados pelos hospitais públicos de Paris. Em cerca de 11 mil doentes internados no início de abril, apenas 8,5% eram fumantes. Um número baixo comparado à quantidade de pessoas que consomem tabaco na França: 25,4%.

Um novo estudo clínico será realizado em breve sobre essa questão. A pesquisa preliminar interessou as autoridades sanitárias francesas. Assim, adesivos com nicotina serão administrados em três grupos diferentes: em profissionais do setor da saúde, pacientes hospitalizados em situação estável e outros nas UTIs francesas.

Riscos e alerta do INCA

Causador de várias doenças, como por exemplo diversos tipos de câncer, o tabaco é responsável pela morte de 7 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. O Instituto Nacional de Câncer (INCA), inclusive, divulgou em março e atualizou esse mês, uma nota técnica em que alerta sobre os riscos do tabagismo e do uso e compartilhamento do narguilé para a infecção pelo coronavírus. De acordo com o documento, fumar aumenta o risco de contrair infecções bacterianas e virais, como a covid-19, causada pelo novo coronavírus.

Entre os pacientes chineses diagnosticados com pneumonia associada ao coronavírus, as chances de agravamento da doença foram 14 vezes maiores entre as pessoas com histórico de tabagismo em comparação com as que não fumavam. Esse foi o fator de risco mais forte entre os examinados.

Em relação ao narguilé, o risco de transmissão do vírus cresce substancialmente, já que a mangueira é passada de pessoa a pessoa e todas compartilham a mesma piteira (que é a parte colocada na boca).

Alguns países da região do Mediterrâneo oriental, como Irã, Kuwait, Paquistão, Catar e Arábia Saudita, proibiram o uso do narguilé em locais públicos, como cafés, bares ou restaurantes, para prevenir a transmissão do coronavírus.

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