Candeias: resgates de bandas e fanfarras geram inclusão e transformação social

Candeias, cidade da região metropolitana a 46 km de Salvador é também conhecida pela forte ligação com a música. Talvez essa seja a explicação para a grande mobilização em torno dos eventos com a participação das tradicionais fanfarras, que foram resgatadas há três anos, com sede, instrumentos musicais e fardamentos, além de investimentos em torno de R$2 milhões com o objetivo de inserir os jovens candeenses no mundo da cultura, da dança e da arte. As fanfarras contempladas foram: Bamucan, Bamadic, Bamced e Leão da Bahia. Entre instrumentos musicais e uniformes foram mais de 700 itens entregues.

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Para a professora Adijane Santos, mãe de Davi, 17, o trabalho realizado com os jovens nas fanfarras, tem se tornado também uma forma de ressocialização social, onde os jovens aprendem a se organizar, a trabalhar em grupo, a respeitar prazos, ter disciplina, valorizar a presença de seus amigos. Adijane destaca a diferença no comportamento dos jovens. “Se você observar o trabalho desses alunos, o comportamento, são evidentes a diferença e o brilho nos olhos deles. São jovens querendo uma vida diferente e a banda também serve para isso, oferece essa oportunidade para eles e isso tem mudado muito”, pontua.

Para Fábio Brasil, regente da fanfarra Leões da Bahia, com os novos instrumentos e fardamentos comprados pela prefeitura nos últimos três anos, os jovens de Candeias tiveram a oportunidade de ingressar nas fanfarras do município. “Os nossos jovens estavam se deslocando para outras cidades para ter instrumentos de qualidade, mas a partir deste resgate, hoje eles não precisam mais sair daqui. É uma felicidade que não posso mensurar. São mais de 20 anos que as fanfarras de Candeias não recebiam uniformes e/ou instrumentos, agora tivemos esse resgate”, disse.

Outro ponto citado pelo regente foi a qualidade dos uniformes. “São uniformes escolhidos por nós e de qualidade que não deixa a desejar a nenhuma fanfarra da região. Com isso os componentes da banda ficaram satisfeitos”, ressaltou.

De acordo com o regente Alfredo Bispo, nunca foi feito um investimento tão grande quanto o atual. “Esse investimento foi muito importante, pois equipou as fanfarras com instrumentos de qualidade e, com isso, os nossos jovens tiveram mais interesse de ingressar em uma banda marcial”, comentou Alfredo.

Este ano, não houve o tradicional desfile de Sete de Setembro, onde a população pode ver de perto a qualidade das bandas marciais de Candeias. “A fanfarra representa tudo pra gente. Fazemos isso porque nós gostamos muito e temos essa relação com a música. Estávamos sempre ensaiando, mas por conta da pandemia tivemos que parar. Adoro tocar na banda não tem como explicar, é uma paixão muito grande”, afirma a jovem Camile Oliveira, 16 anos.

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