Após recorde de mortes por Covid-19, Governo Bolsonaro tenta maquiar dados

Após o Brasil atingir novamente o recorde de mortes por Covid-19 confirmadas em 24 horas na terça-feira (23/03), quando foram registradas 3.241 óbitos, o Governo Bolsonaro, através do Ministério da Saúde, alterou a ficha dos pacientes no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). A ação seria uma tentativa de maquiar os números da Covid-19.

O Conselho de secretários disse que que não foi avisado sobre mudança e a informação, conforme o G1, foi revelada por técnicos responsáveis por preencher diariamente as atualizações sobre novos óbitos causados pela doença. Segundo eles, os dois principais impactos da nova ficha foram a falta de aviso prévio por parte do Ministério da Saúde às secretarias, ao contrário do ocorrido em julho de 2020, na mudança anterior da ficha; e a exigência de preenchimento obrigatório de novos campos.

Ainda conforme a publicação, para os técnicos isso pode aumentar o atraso entre a ocorrência das mortes e o registro delas no sistema, para que constem do balanço oficial diário.

O Sivep-Gripe é o sistema oficial em que todas as novas hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) devem ser compulsoriamente notificadas desde 2009 (leia mais ao final da reportagem). Em 2020, com a pandemia do novo coronavírus, ele passou a ser usado também como a fonte oficial das mortes confirmadas por Covid-19.

A secretaria-executiva do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) informou, na tarde desta quarta-feira (24/03), que defende a retirada dos novos campos obrigatórios. Segundo o Conasems, as alterações já estavam sendo discutidas anteriormente, mas ocorreu “falta de comunicação adequada” no momento em que as mudanças foram oficialmente instituídas.

Já presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, disse que o Ministério da Saúde tem de rever “imediatamente” a norma que altera critérios de mortes por Covid-19. De acordo com ele, a entidade não foi avisada pela pasta. A medida pegou as cidades e estados de surpresa.

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